Brasil se destaca como celeiro global para data centers e processamento de dados

Florence Lo

Estudo da Galapagos Capital aponta o país como protagonista na expansão da infraestrutura digital na América Latina

Brasil pode se tornar referência mundial em processamento de dados com expansão da infraestrutura digital e incentivos regulatórios.

Brasil desponta como celeiro global para data centers e processamento de dados

O Brasil se destaca como celeiro global para data centers, segundo análise da Galapagos Capital, posicionando-se como protagonista da expansão da infraestrutura digital na América Latina. O estudo ressalta que o país reúne uma combinação rara de atributos, incluindo energia predominantemente renovável, preços competitivos de eletricidade e uma rede elétrica interligada nacionalmente. Essa conjuntura cria um ambiente favorável para o desenvolvimento de data centers, essenciais para o processamento e armazenamento de dados em grande escala.

Crescimento global e demanda por infraestrutura digital

A demanda mundial por capacidade de data centers deve acelerar significativamente, saltando de 82 gigawatts em 2025 para 219 gigawatts até 2030. Paralelamente, o mercado de serviços em nuvem deve ultrapassar US$1,6 trilhão e o setor de inteligência artificial chegar a quase US$4,8 trilhões até 2034. Essa explosão demanda uma intensa expansão da infraestrutura digital, que os mercados tradicionais não conseguem suprir sozinhos, abrindo espaço para regiões como a América Latina.

Incentivos regulatórios e competitividade no Brasil

O Brasil reforça sua atratividade com o programa ReData, parte da Política Nacional de Data Centers, que elimina impostos federais sobre equipamentos para o setor, reduzindo a carga tributária de 52% para 18% em alguns casos. Essa medida é considerada transformadora para o retorno dos projetos, especialmente para grandes investidores globais e hyperscalers como Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon, que aceleram seus aportes na região. Estima-se que o ReData possa atrair investimentos privados de até R$2 trilhões em dez anos.

Panorama regional: Chile, México e Colômbia também ganham espaço

Além do Brasil, mercados como Chile, México e Colômbia apresentam forte potencial de crescimento. O Chile destaca-se pela capacidade crescente, especialmente em Santiago e regiões com excedente renovável no norte do país. O México beneficia-se da proximidade com os EUA e incentivos fiscais, enquanto a Colômbia aposta em incentivos para projetos renováveis e concentração da demanda em Bogotá. Quem se posicionar nesses mercados agora terá vantagem competitiva importante.

Desafios e oportunidades energéticas para a expansão dos data centers

A expansão dos data centers exige grande disponibilidade de energia, já que esses centros representam hoje cerca de 3,5% do consumo global de eletricidade, podendo superar 9% até 2030. A região latino-americana, com energia limpa, barata e excedente, ganha relevância nesse contexto, reduzindo um dos principais gargalos para o setor. O Brasil, com sua matriz energética renovável, desponta como destino estratégico para investimentos na infraestrutura digital.

Conclusão: O Brasil como protagonista da nova era digital

A combinação de fatores estruturais, regulatórios e econômicos coloca o Brasil no centro da transformação digital global, com potencial para ser um celeiro mundial de processamento de dados, assim como foi no agronegócio. A crescente demanda por serviços digitais, computação em nuvem e inteligência artificial cria uma janela rara para atração de investimentos e desenvolvimento tecnológico, consolidando o papel do país como hub regional e global no setor.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Florence Lo

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