Operação contra facção baiana no Vidigal provoca tiroteio, interdição de via e deixa cerca de 200 turistas ilhados em mirante
Ação conjunta entre forças de segurança do Rio de Janeiro e da Bahia mirava lideranças criminosas ligadas ao tráfico no sul baiano; suspeito principal conseguiu fugir durante a operação.
Operação policial causa caos no Vidigal e impacta rotina de moradores e turistas
Uma operação policial realizada na manhã desta segunda-feira (20) na comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro, resultou em intenso tiroteio, bloqueios viários e momentos de tensão para moradores e visitantes. A ação teve como foco a captura de lideranças criminosas ligadas ao tráfico de drogas no sul da Bahia e contou com a participação de agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público da Bahia.
Durante a operação, criminosos reagiram à presença das forças de segurança, desencadeando confrontos armados em diferentes pontos da comunidade. A situação gerou pânico entre moradores, que relataram disparos constantes nas primeiras horas do dia. Imagens registradas por testemunhas mostram helicópteros sobrevoando a região em baixa altitude, enquanto equipes policiais atuavam em solo.
Turistas ficam ilhados no Morro Dois Irmãos durante confronto
Um dos episódios mais marcantes da operação foi o isolamento de cerca de 200 turistas no topo do Morro Dois Irmãos, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. O acesso ao local ocorre por uma trilha que se inicia dentro da comunidade do Vidigal, frequentemente utilizada por visitantes que buscam acompanhar o nascer do sol.
Com o avanço da operação e o risco provocado pelo tiroteio, a descida dos turistas foi interrompida. Guias orientaram o grupo a permanecer abaixado e em segurança até que a situação fosse controlada. Muitos relataram momentos de medo, apesar de destacarem a atuação organizada dos profissionais que acompanhavam o passeio.
Após cerca de duas horas de tensão, por volta das 7h20, os visitantes conseguiram deixar o local com o auxílio de agentes de segurança, descendo a comunidade sob escolta de veículos blindados.
Avenida Niemeyer é interditada durante ação policial
A operação também teve impacto significativo no trânsito da região. A Avenida Niemeyer, uma das principais ligações entre os bairros de São Conrado e Leblon, foi interditada após criminosos posicionarem um ônibus atravessado na via e utilizarem contêineres de lixo como barricadas. Em alguns pontos, houve relatos de objetos incendiados para dificultar o avanço policial.
A interdição causou retenções e obrigou motoristas a buscarem rotas alternativas. A liberação da via ocorreu por volta das 6h50, após a estabilização da área, com escolta da Polícia Militar para garantir a segurança dos condutores.
Alvos da operação incluem líderes de facção do sul da Bahia
A ofensiva fazia parte de uma investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia, que busca desarticular uma organização criminosa com atuação no extremo sul do estado. O principal alvo era Edinaldo Pereira dos Santos, conhecido como “Dadá”, apontado como um dos líderes do grupo e responsável por atividades ilegais em regiões como Caraíva e Trancoso.
Segundo as investigações, o suspeito havia fugido de um presídio baiano em 2024 e passou a se esconder no Rio de Janeiro, sob proteção de integrantes do Comando Vermelho. Nos dias que antecederam a operação, ele teria alugado uma casa no Vidigal para realizar encontros com familiares e aliados, o que permitiu sua localização pelas autoridades.
Apesar do cerco policial, o criminoso conseguiu fugir por uma passagem estreita dentro da comunidade antes da chegada das equipes.
Prisões e apreensões durante a ação
Mesmo com a fuga do principal alvo, a operação resultou em três prisões. Entre os detidos está Núbia Santos Oliveira, apontada como responsável pela movimentação financeira da facção criminosa. Ela é investigada por lavagem de dinheiro e possuía mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio.
Outros dois homens foram presos em flagrante, um deles com armamento pesado, incluindo fuzil e pistola com numeração raspada. Também foram apreendidos drogas, rádios comunicadores, carregadores e equipamentos táticos, indicando a estrutura organizada do grupo.
Um dos detidos é considerado de alta periculosidade e possuía mandados de prisão em aberto em outros estados, reforçando a atuação interestadual da organização criminosa.
Investigações apontam conexão entre facções e fuga de presos
As autoridades apontam que integrantes da facção baiana estavam escondidos no Rio de Janeiro após uma fuga em massa ocorrida em um presídio de Eunápolis, em 2024. A operação desta segunda-feira integra uma série de ações para capturar esses foragidos e enfraquecer a atuação do grupo, que continuaria exercendo influência mesmo à distância.
Além disso, investigações recentes indicam possíveis conexões políticas e financeiras envolvendo a fuga dos detentos, o que amplia a complexidade do caso e reforça a necessidade de cooperação entre diferentes órgãos de segurança.
Impactos e desdobramentos da operação
A ação no Vidigal evidencia os desafios enfrentados pelas forças de segurança no combate ao crime organizado, especialmente quando há articulação entre facções de diferentes estados. O episódio também expôs riscos para moradores e turistas em áreas urbanas que convivem com a presença de grupos armados.
As investigações continuam, e novas operações não estão descartadas. As autoridades seguem em busca do principal alvo, enquanto analisam o material apreendido para aprofundar o mapeamento da organização criminosa e suas conexões.
Fonte: g1, CNN Brasil e BNews
Fonte: TV Globo