Ex-companheira denunciou coronel por perturbação anos antes de morte de PM em SP

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Ex-companheira de oficial da PM registrou ocorrência por perturbação e descumprimento de decisões judiciais anos antes de caso atual envolvendo morte de policial

Histórico do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto inclui denúncias antigas, condenação por abuso de autoridade e agora investigação sobre morte da atual esposa, encontrada com tiro na cabeça em São Paulo.

Boletim de ocorrência antigo aponta conflitos familiares

Um boletim de ocorrência registrado em 2010, na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, revela que uma dentista, então esposa do hoje tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, procurou a Polícia Civil para denunciar problemas envolvendo o oficial.

O documento, registrado no plantão policial, descreve um cenário de conflito familiar que, segundo a mulher, vinha afetando sua tranquilidade. À época, o oficial já integrava a Polícia Militar.

De acordo com o registro, a dentista relatou episódios recorrentes de perturbação atribuídos ao ex-companheiro. Antes de formalizar a denúncia na Polícia Civil, ela chegou a procurar a própria Polícia Militar em busca de orientação.

Descumprimento de decisões judiciais e insistência em contato

O boletim também aponta que os conflitos envolviam questões relacionadas à convivência e à criação da filha do casal. Segundo a denunciante, o oficial não respeitava as datas de visitação estabelecidas judicialmente.

Além disso, ela afirmou que o então companheiro realizava ligações em diversos horários, situação que a levou a trocar o número de telefone pessoal por três vezes.

Mesmo quando a filha estava em férias na casa dos avós, o oficial continuava tentando localizá-la, conforme consta no relato registrado.

A própria Polícia Militar orientou a mulher a formalizar o boletim de ocorrência. No documento, ela informou ainda que havia ingressado com ação judicial solicitando o distanciamento do oficial.

Defesa não se manifestou

A reportagem tentou contato com a defesa do tenente-coronel, mas não obteve resposta até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações.

Justiça reconheceu abuso de autoridade em 2022

Além do histórico familiar, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reconheceu que ações atribuídas ao oficial, então major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar, configuraram abuso de autoridade contra uma subordinada em 2022.

O caso envolveu uma policial militar que alegou perseguição profissional dentro da unidade. Após análise das provas, a Justiça concluiu que houve assédio moral e uso indevido da posição hierárquica.

O Estado de São Paulo foi condenado a pagar R$ 5 mil por danos morais à policial, com correção e juros pela taxa Selic. A decisão destacou o caráter “didático-pedagógico” da indenização, visando evitar novas condutas semelhantes.

O recurso apresentado pela Fazenda Pública foi rejeitado, e a sentença foi mantida pelo Colégio Recursal do TJSP.

Perseguição e ambiente de trabalho sob pressão

Segundo a decisão judicial, o oficial praticou ações repetitivas contra a subordinada, utilizando sua posição de autoridade para afetar a autoestima, a dignidade e a estabilidade profissional da vítima.

A juíza Alexandra Fuchs de Araújo afirmou que ficou comprovado que as condutas tinham como objetivo ou efeito atingir a autodeterminação da policial, além de causar danos ao ambiente de trabalho.

Entre os episódios analisados está a movimentação de quatro policiais femininas durante uma preleção administrativa, interpretada como forma de punição após conflitos internos no batalhão.

O processo também cita críticas constantes, exposição a constrangimentos e tentativas de transferência, além de acusações relacionadas ao extravio de documentos disciplinares, que foram consideradas parte de um contexto de pressão funcional.

Apuração interna e conclusão da Justiça

O caso foi inicialmente investigado por meio de registros na Corregedoria da Polícia Militar, que resultaram na abertura de sindicância administrativa.

Com base nas provas e documentos analisados, a Justiça concluiu que as condutas ultrapassaram os limites da disciplina militar, configurando abuso de autoridade dentro da estrutura da corporação.

Morte de policial reacende histórico do oficial

O nome do tenente-coronel voltou ao centro das atenções após a morte de sua atual esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.

A policial foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu horas depois no Hospital das Clínicas.

O oficial afirma que a companheira tirou a própria vida. O caso, no entanto, é investigado pelas autoridades como morte suspeita.

O episódio reacendeu discussões sobre o histórico do oficial dentro da corporação e possíveis episódios anteriores envolvendo sua conduta.

Fonte: Metrópoles

Imagem: Reprodução / Polícia Civil

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