Paralisação no transporte coletivo de Foz do Iguaçu chega ao segundo dia com frota reduzida e mediação no Ministério Público do Trabalho
Impasse entre empresa, prefeitura e trabalhadores gira em torno do pagamento do adicional “dirige e cobra”.
Greve afeta circulação e reduz frota de ônibus
A greve no transporte coletivo de Foz do Iguaçu entrou no segundo dia nesta terça-feira (28), com apenas 33% da frota em operação. A paralisação teve início na manhã de segunda-feira (27), quando ônibus deixaram de sair do Terminal de Transporte Urbano (TTU), causando interrupções nas linhas e impactando diretamente o deslocamento de passageiros.
Desde então, o sistema funciona de forma parcial, com atrasos e irregularidades. A situação levou a Viação Santa Clara (Visac) a acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT), que promove uma reunião de mediação por videoconferência com representantes da empresa, da prefeitura, do Foztrans e do sindicato da categoria.
Impasse gira em torno do adicional “dirige e cobra”
O principal ponto de conflito é o pagamento do adicional conhecido como “dirige e cobra”, destinado a motoristas que acumulam a função de conduzir o veículo e realizar a cobrança de passagens. A empresa afirma que não consegue manter o pagamento sem uma recomposição contratual e levou a questão ao MPT para buscar solução.
Já a prefeitura sustenta que o custo não pode ser incluído no contrato atual. A administração municipal argumenta que essa despesa já era conhecida desde 2019 e deveria ter sido considerada pela concessionária no processo de licitação realizado em 2023.
Prefeitura rejeita repasse e empresa aponta impacto financeiro
Em manifestação pública, o prefeito General Silva e Luna afirmou que o município não fará repasses fora das regras contratuais. “A empresa solicita pagamento fora do contrato”, declarou, acrescentando que aceitar a proposta abriria precedente irregular e poderia transferir custos adicionais à população.
A concessionária, por sua vez, afirma que continua pagando o adicional aos trabalhadores mesmo sem o repasse do poder público, o que estaria comprometendo o equilíbrio financeiro da operação do sistema.
Sindicato aponta perdas salariais
No campo trabalhista, o sindicato da categoria relata prejuízos aos motoristas. De acordo com o presidente do SITRO-FI, Rodrigo Andrade de Souza, após o vencimento do acordo coletivo em 12 de março, a empresa deixou de pagar benefícios como o adicional por cobrança de passagens e a cesta básica por 18 dias.
Segundo a entidade, o reajuste salarial de 5% concedido não compensa as perdas acumuladas no período, o que contribuiu para o agravamento do conflito e a deflagração da greve.
Mediação busca solução para o impasse
A reunião no Ministério Público do Trabalho busca um entendimento entre as partes para encerrar a paralisação e normalizar o serviço. A expectativa é que o encontro possa avançar nas negociações sobre o custeio do adicional e as condições de trabalho dos motoristas.
Enquanto não há acordo, a população de Foz do Iguaçu segue enfrentando dificuldades no transporte público, com impacto na rotina de trabalhadores e estudantes que dependem do serviço.
Fonte: Jornal Plural
Foto: Reprodução