Guerra no Oriente Médio eleva riscos para segurança alimentar global

Finbarr O'Reilly/The New York Times

Conflitos no Golfo Pérsico impactam produção e distribuição de fertilizantes, ameaçando a oferta mundial de alimentos

A guerra no Oriente Médio ameaça interromper o fornecimento de fertilizantes essenciais, elevando o risco de escassez alimentar em países vulneráveis.

Impactos da guerra no Oriente Médio sobre a segurança alimentar global

A guerra no Oriente Médio, especialmente nos países situados ao redor do Golfo Pérsico, tem provocado um efeito dominó que ameaça a segurança alimentar em escala mundial. Até 15 de fevereiro de 2026, o prolongamento desse conflito tem elevado o risco de interrupções no fornecimento de fertilizantes essenciais, componentes vitais para a produção agrícola, o que pode resultar em aumentos significativos no preço dos alimentos, afetando principalmente as populações mais vulneráveis.

Papel estratégico do Golfo Pérsico na produção de fertilizantes

Embora a região do Golfo Pérsico seja amplamente reconhecida pela produção de petróleo e gás natural, sua importância vai além: industriais locais transformam a energia abundante em fertilizantes nitrogenados, especialmente ureia e amônia, responsáveis por nutrir cerca de metade da produção mundial de alimentos. Países como Irã, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein respondem por mais de um terço da exportação global desses produtos.

Bloqueios e ataques que comprometem o comércio de fertilizantes

O fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota marítima para o transporte desses fertilizantes, aliado a ataques com drones e mísseis, como os ocorridos na infraestrutura da QatarEnergy, interrompe o fornecimento e eleva os custos de produção e transporte. A incapacidade de escoar estoques de fertilizantes pressiona os agricultores a restringir a aplicação desses insumos, ameaçando as safras futuras e a oferta global de alimentos.

Consequências para os países vulneráveis e os mercados globais

A interrupção no fornecimento de fertilizantes eleva os preços agrícolas, impactando com mais severidade as nações em desenvolvimento, especialmente no Sul da Ásia e na África Subsaariana, onde a agricultura depende fortemente desses insumos importados. Além disso, a valorização do dólar americano, moeda na qual os fertilizantes são cotados, encarece ainda mais a compra em moedas locais, aprofundando a crise.

Lições do passado e caminhos para a sustentabilidade agrícola

O conflito atual reforça as lições extraídas da crise entre Rússia e Ucrânia, que escancarou a dependência geopolítica e os riscos associados à concentração da produção de alimentos e fertilizantes. A resposta a longo prazo demanda investimento em práticas agrícolas sustentáveis, diversificação das fontes de fertilizantes e incentivo a cultivos adaptados localmente, como demonstram iniciativas em países como Índia e Brasil.

Perspectivas e desafios imediatos para as safras do Hemisfério Norte

Neste momento crítico, agricultores do Hemisfério Norte enfrentam o desafio de garantir insumos para as plantações da primavera. A escassez de ureia e os altos preços já observados no mercado, como o aumento de cerca de 37% no preço da ureia no Egito, indicam pressão crescente. A ausência de alternativas rápidas, devido a restrições em outros mercados importantes como a China, torna o cenário preocupante para a segurança alimentar global.

Considerações finais

A guerra no Oriente Médio transcende o ambiente político e militar, tendo repercussões diretas sobre a capacidade global de produzir alimentos de forma acessível e sustentável. A crise atual evidencia a necessidade urgente de políticas internacionais que promovam a resiliência da agricultura mundial, reduzindo a dependência de regiões vulneráveis e garantindo a segurança alimentar para as gerações futuras.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Finbarr O'Reilly/The New York Times

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