Tarifa dos EUA aumenta custo e mantém peso sobre exportações brasileiras

Leon Kuegeler

Abimaq reconhece redução da burocracia mas alerta para impacto das novas alíquotas nas vendas ao mercado americano

A mudança nas tarifas dos EUA elimina burocracia, mas o aumento para 25% pesa nas exportações brasileiras de máquinas e equipamentos.

Impacto do ajuste na tarifa dos EUA para exportadores brasileiros

O recente ajuste na tarifa dos EUA para produtos contendo aço, alumínio e cobre, anunciado em 2 de abril de 2026, apresenta um duplo efeito para os exportadores brasileiros, principalmente nas indústrias de máquinas e equipamentos. Segundo José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a medida simplifica o processo eliminando a burocracia que exigia o cálculo do peso do aço no custo da máquina, porém, impõe aumento significativo da alíquota importadora, elevando-a de 10% para 25%.

Simplificação da burocracia e mudança no cálculo das tarifas

Antes da alteração, os EUA aplicavam uma tarifa de até 50% sobre produtos acabados com conteúdo metálico inferior a 15%, e para máquinas, a cobrança incidia apenas sobre o peso do aço, alumínio ou cobre. Com o novo regime, a tarifa passa a ser fixa em 25% sobre o valor total da importação, independentemente do percentual de metal no produto. Essa mudança visa simplificar o processo aduaneiro, eliminando cálculos complexos e reduzindo a burocracia enfrentada pelos exportadores brasileiros.

Aumento do custo e suas consequências para as exportações brasileiras

Apesar da redução burocrática, o aumento das tarifas para 25% representa um custo maior para as exportações brasileiras, que já vinham sofrendo efeitos negativos por tarifas anteriores impostas pelos EUA, especialmente durante o governo Trump. Dados da Abimaq indicam que as exportações de máquinas e equipamentos para os EUA caíram 9,1% em 2025. Além disso, a participação dos EUA no total das vendas externas brasileiras deste setor diminuiu de 27% em 2024 para 23% em 2025, sinalizando deslocamento para outros mercados ou retração devido às tarifas elevadas.

Consequências para a indústria brasileira e perspectivas futuras

A elevação da tarifa dos EUA pode pressionar a competitividade da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, forçando uma revisão nas estratégias de exportação e possivelmente incentivando a busca por novos mercados ou incentivo à produção local nos EUA para contornar as barreiras tarifárias. O setor produtivo brasileiro enfrenta, portanto, o desafio de adaptação a esse cenário, buscando alternativas para minimizar os impactos financeiros e logísticos decorrentes das mudanças nas políticas comerciais americanas.

Contexto global e repercussões no comércio internacional

A medida dos EUA reflete uma tendência global de ajustes tarifários que buscam proteger a indústria local, mas que podem gerar custos adicionais e complexidades para países exportadores. Para o Brasil, esse ajuste destaca a necessidade de diversificação dos parceiros comerciais e fortalecimento de acordos que promovam maior equilíbrio e previsibilidade nas relações comerciais internacionais. A Abimaq permanece atenta às evoluções das políticas tarifárias, buscando diálogo e estratégias que favoreçam o desenvolvimento sustentável do setor.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Leon Kuegeler

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