Banco Central revela resultado fiscal do setor público consolidado no segundo mês do ano
O setor público consolidado apresentou déficit primário de R$ 16,388 bilhões em fevereiro de 2026, aponta o Banco Central.
Panorama do déficit primário do setor público em fevereiro de 2026
O Banco Central divulgou que o setor público consolidado brasileiro, composto pelo governo central, estados, municípios e empresas estatais (excetuando Petrobras e Eletrobras), registrou em fevereiro de 2026 um déficit primário de R$ 16,388 bilhões. Este resultado representa a diferença entre receitas e despesas, excluindo os gastos com juros da dívida pública, e indica um quadro fiscal desafiador, apesar de ser uma melhoria em relação ao déficit de fevereiro de 2025, que foi de R$ 18,973 bilhões.
Distribuição do resultado fiscal entre os entes federativos
Analisando os dados por segmento, observa-se que o governo central, incluindo Tesouro Nacional, Banco Central e INSS, apresentou um déficit primário de R$ 29,507 bilhões no mês. Contrariamente, os governos estaduais e municipais conseguiram superávit, somando R$ 13,686 bilhões. Especificamente, os estados registraram superávit de R$ 10,741 bilhões, enquanto os municípios apresentaram superávit de R$ 2,945 bilhões. As empresas estatais, por sua vez, tiveram déficit de R$ 568 milhões, indicando desafios na gestão dessas entidades.
Evolução do déficit nominal e suas implicações
Quando se considera o déficit nominal, que inclui o pagamento dos juros da dívida pública, o setor público consolidado teve em fevereiro de 2026 um resultado negativo de R$ 100,589 bilhões. Este número mostra um agravamento em relação ao superávit de R$ 40,062 bilhões registrado em janeiro do mesmo ano e é comparável ao déficit nominal de R$ 97,226 bilhões observado em fevereiro de 2025. No acumulado do ano, o déficit nominal totaliza R$ 60,527 bilhões, equivalentes a 2,93% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto nos últimos 12 meses o déficit soma R$ 1,090 trilhão, o que representa 8,48% do PIB.
Expectativas de mercado versus resultado divulgado
O déficit primário registrado ficou abaixo do teto previsto pela pesquisa Projeções Broadcast, cujo limite superior indicava resultado negativo de R$ 16,90 bilhões para o mês de fevereiro. A mediana das projeções apontava para déficit de R$ 24,250 bilhões, e o piso chegava a R$ 35,40 bilhões em resultado negativo. O desempenho fiscal menos severo do que o esperado pode indicar ajustes nas políticas fiscais ou impactos de receitas inesperadas.
Desafios e perspectivas para a política fiscal brasileira
O cenário delineado pelo déficit primário e nominal do setor público evidencia desafios persistentes para o equilíbrio fiscal brasileiro. O peso dos juros sobre a dívida pública contribui significativamente para o déficit nominal, enquanto os desequilíbrios entre os entes federativos refletem a complexidade da gestão fiscal no país. O superávit dos estados e municípios ajuda a amenizar o déficit geral, mas o desempenho negativo do governo central e das estatais permanece como fator de atenção. A continuidade do monitoramento e a adoção de políticas eficazes serão essenciais para garantir a sustentabilidade fiscal e a confiança dos agentes econômicos no médio e longo prazo.
Fonte: www.infomoney.com.br