Setores químicos e automobilísticos impulsionam maior alta desde junho de 2024
Produção industrial brasileira sobe 1,8% em janeiro, destaque para setores químicos e automotivos, maior alta desde junho de 2024.
Panorama geral da produção industrial brasileira em janeiro de 2026
A produção industrial brasileira cresceu 1,8% em janeiro de 2026 em relação a dezembro de 2025, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa alta representa o maior avanço desde junho de 2024, quando a indústria registrou crescimento de 4,4%. Além disso, houve um aumento de 0,2% na comparação anual, interrompendo uma sequência de três meses seguidos de queda. André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), destaca que o resultado positivo está ligado à recuperação das atividades após as férias coletivas e ao aumento da produção em diversos setores.
Setores que impulsionaram o crescimento da produção industrial brasileira
O crescimento da produção industrial brasileira em janeiro foi liderado por setores estratégicos. Os produtos químicos avançaram 6,2%, com destaque para adubos, fertilizantes, herbicidas e fungicidas, essenciais para o agronegócio. O setor de veículos automotores, reboques e carrocerias obteve aumento de 6,3%, impulsionado por caminhões e autopeças. Já a indústria de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis cresceu 2,0%, refletindo a retomada da demanda energética. Outros segmentos, como indústrias extrativas, metalurgia, máquinas e materiais elétricos, bebidas, produtos metálicos e equipamentos eletrônicos também apresentaram crescimento expressivo, demonstrando a recuperação disseminada na economia.
Influência da política monetária e reflexos nas atividades industriais
Apesar da recuperação observada, o gerente André Macedo ressalta que a política monetária restritiva, que mantém as taxas de juros elevadas, ainda exerce influência negativa sobre o setor industrial. O recuo consecutivo em máquinas e equipamentos (-6,7%), especialmente em bens de capital para fins industriais e agrícolas, evidencia o impacto dos custos financeiros elevados, que desestimulam investimentos em ampliação e modernização das plantas industriais. O saldo acumulado entre setembro e dezembro de 2025 permanece negativo em 0,8%, indicando que a recuperação, embora significativa, não compensou integralmente as perdas recentes.
Desdobramentos econômicos e desafios para o setor industrial
A retomada da produção industrial brasileira simboliza um indicativo positivo para a economia nacional, refletindo maior dinamismo e a adaptação das empresas às condições do mercado. Contudo, a produção ainda está 15,3% abaixo do pico histórico de maio de 2011, e o caminho para a consolidação do crescimento implica superar obstáculos como o custo elevado do crédito e o ambiente externo incerto. O avanço em quatro grandes categorias econômicas — bens de consumo duráveis, bens de capital, bens intermediários e bens de consumo semi e não duráveis — é um sinal promissor, mas a manutenção dessa trajetória dependerá da evolução da política econômica e das condições globais.
Perspectivas futuras para a produção industrial no Brasil
O desempenho de janeiro de 2026 sugere que a produção industrial brasileira está em processo de recuperação gradual. A diversificação dos setores que apresentaram crescimento amplia a resiliência da indústria frente a adversidades econômicas. Para que o crescimento se sustente, será necessário o equilíbrio entre estímulos econômicos e controle da inflação, além do incentivo a investimentos produtivos. A indústria brasileira precisa consolidar ganhos de produtividade e inovação tecnológica para recuperar espaços perdidos e aproveitar oportunidades de expansão no mercado internacional.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: D no Complexo Industrial de Camaçari, Bahia, em 9 de outubro de 2025 REUTERS/Joa Souza