Projeções indicam desaceleração da economia brasileira diante do aperto monetário em 2025
PIB 2025 deve crescer 2,3% com economia pressionada por juros elevados e desaceleração da indústria.
Panorama do PIB 2025 sob efeito dos juros altos
O PIB 2025 deve crescer 2,3%, evidenciando o impacto do ciclo de juros elevados adotado pelo Banco Central, que alcançou 15% em julho de 2024. Essa política monetária restritiva desacelerou a atividade econômica no segundo semestre, refletindo queda na dinâmica de setores-chave, sobretudo a indústria.
O banco Itaú e a XP Investimentos estimam que o quarto trimestre de 2025 apresentou avanço marginal de apenas 0,1% frente ao trimestre anterior, indicando uma estagnação econômica, e crescimento anual de 1,8% em relação a 2024.
Serviços como base da resiliência econômica
Apesar da desaceleração geral, o setor de serviços permaneceu o principal sustentáculo do crescimento econômico brasileiro em 2025. O segmento deve registrar alta de cerca de 2%, impulsionado principalmente pela administração pública e serviços prestados às famílias, conforme análise do Itaú e da XP.
Especialistas destacam que esse desempenho está ligado à manutenção do mercado de trabalho aquecido e à estabilidade da renda das famílias, fatores que favorecem o consumo e os serviços financeiros, além de setores de informação e comunicação.
Indústria enfrenta desaquecimento e desafios estruturais
O setor industrial é apontado como o elo mais fraco da economia em 2025, sofrendo com o impacto do alto custo do crédito, estoques elevados e gargalos na cadeia produtiva. As projeções indicam um crescimento anual reduzido a 0,8% no quarto trimestre, com retração de 0,5% no confronto trimestral segundo a XP.
O setor de transformação e construção civil foram os mais afetados, enquanto a indústria extrativa, especialmente a produção de petróleo, manteve trajetória positiva, contribuindo para amenizar o resultado geral.
Consumo das famílias e investimentos: trajetórias divergentes
O consumo das famílias apresentou crescimento moderado e sustentado, com aceleração para 1,6% no último trimestre de 2025, segundo o Itaú. Tal avanço é suportado por índices sólidos de emprego e preservação da renda, em linha com o quarto trimestre consecutivo de expansão identificado pela XP.
Em contraponto, os investimentos produtivos mostraram fraqueza. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registrou contração de 1,4% no trimestre, refletindo restrições de crédito e desaceleração na produção de bens de capital. O crescimento interanual manteve-se tímido, estimado em 1%, com impacto estatístico da base elevada em 2024.
Perspectivas para 2026: recuperação moderada e foco no consumo
Mesmo diante dos desafios de 2025, a XP projeta crescimento de 2% para o PIB em 2026, descartando cenário de retração. A retomada será impulsionada principalmente pelo consumo das famílias, sustentado por políticas de crédito facilitado e estímulos à renda, incluindo efeitos da reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
Além disso, estímulos fiscais e governamentais, incentivos para reformas residenciais e subsídios são esperados para contribuir com 0,9 ponto percentual no avanço da atividade econômica no próximo ano.
Impactos macroeconômicos e cenário global
O contexto de juros elevados reflete a estratégia de contenção da inflação e estabilização econômica, porém cria barreiras para crescimento acelerado. A desaceleração da indústria e os desafios na recuperação dos investimentos apontam para um ajuste necessário na composição do crescimento futuro.
O mercado de trabalho resiliente e políticas públicas ativas serão cruciais para sustentar o consumo, que emerge como principal motor para a economia brasileira neste período de transição econômica.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Paulo Pinto/Agência Brasil