Ata do Copom destaca impacto do preço do petróleo nas decisões sobre a taxa básica de juros
Ata do Copom indica que o preço do petróleo será decisivo para o ritmo dos cortes na taxa Selic em 2026.
Petróleo como fator decisivo para o corte na Selic em 2026
A ata do Copom divulgada em 24 de fevereiro de 2026 destaca que o preço do petróleo, especificamente o barril Brent, será determinante para os próximos cortes na taxa Selic, que começou a ser reduzida recentemente para 14,75%. Apesar de os indicadores econômicos domésticos indicarem controle da inflação e crescimento moderado, a volatilidade do cenário externo, marcada pelo conflito no Oriente Médio, impõe um risco elevado. O aumento do preço do petróleo encarece os combustíveis nas refinarias, causando efeito cascata na cadeia produtiva brasileira e pressionando a inflação, o que pode restringir a magnitude dos cortes.
Impactos do conflito no Oriente Médio e volatilidade do Brent
Segundo economistas como Caio Megale, da XP, se o preço do petróleo permanecer em torno de US$ 100 o barril até o fim de abril, o Copom poderá optar por cortes menores, de 0,25 ponto percentual, para mitigar riscos inflacionários. Claudio Ferraz, da Galapagos Capital, ressalta que a persistência do conflito é o que determinará o ritmo da política monetária, destacando a importância do fluxo no Estreito de Ormuz e a influência sobre as cadeias energéticas globais. A volatilidade no mercado externo mantém a atenção dos analistas voltada para os preços da commodity até as próximas reuniões do Banco Central.
Divergências nas projeções dos bancos para a Selic
As instituições financeiras divergem quanto ao ritmo e amplitude dos cortes futuros na Selic. A XP prevê reduções consecutivas que levariam a taxa a cerca de 12,75% em setembro, com pausa para avaliação dos cenários eleitoral e fiscal. O Itaú BBA projeta corte rápido já em abril, para 14,25%, e redução a 12,25% no fim do ano. Por sua vez, a Galapagos Capital tem uma visão mais conservadora, prevendo cortes menores e uma taxa final próxima a 13% em 2026.
Contexto doméstico e equilíbrio do risco inflacionário
O Copom reconhece que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi fraco no quarto trimestre de 2025 devido aos juros altos, enquanto a inflação apresenta desaceleração. O desafio está em balancear riscos de alta, sobretudo pela inflação de serviços e impacto externo, contra riscos de queda relacionados a uma desaceleração econômica maior que o previsto e a redução nos preços das commodities.
Próximas reuniões do Copom e expectativa do mercado
O calendário das reuniões do Copom em 2026 inclui datas estratégicas para monitoramento da evolução econômica e ajuste da política monetária: 28 e 29 de abril, 4 e 5 de maio, 16 e 17 de junho, 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. O acompanhamento do cenário internacional, especialmente os preços do petróleo, permanecerá central para a definição das próximas decisões sobre a taxa Selic.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: 2026 ( REUTERS