Presidente do Fed de São Francisco destaca impacto do conflito no Irã e sinaliza cautela na política de juros
Mary Daly, presidente do Fed de São Francisco, afirma que o choque do petróleo decorrente do conflito no Irã atrasará a redução da inflação nos EUA.
O impacto do choque do petróleo na inflação americana
Mary Daly, presidente do Federal Reserve de São Francisco, alertou que o choque do petróleo causado pela guerra no Irã está estendendo o cronograma para a redução da inflação nos Estados Unidos. Em entrevista concedida em 10 de abril, Daly destacou que, apesar da economia americana ser fundamentalmente sólida e o mercado de trabalho estar estabilizado, os efeitos da alta dos preços do petróleo e da gasolina criam um ritmo mais lento para atingir a meta inflacionária de 2% estabelecida pelo Fed.
A presidente do Fed reforçou que o atual posicionamento da política monetária é restritivo o suficiente para exercer pressão sobre a inflação, sem prejudicar o mercado de trabalho. Contudo, o aumento dos custos energéticos, que elevou os preços da gasolina para acima de US$4 o galão, mudou o cenário, exigindo cautela na tomada de decisões sobre as taxas de juros.
Cenários futuros para a política monetária diante do conflito no Irã
Daly apresentou dois possíveis cenários para os próximos meses. No primeiro, se o cessar-fogo entre Irã e EUA for mantido e o conflito se estabilizar rapidamente, haverá queda nos preços do petróleo e, consequentemente, redução gradual da inflação. Neste caso, cortes nas taxas de juros poderiam ser considerados para continuar o processo de normalização econômica.
No segundo cenário, mais preocupante, a interrupção persistente do fornecimento de petróleo poderia manter a inflação elevada por um período prolongado, obrigando o Fed a manter as taxas em níveis restritivos até haver sinais claros de controle inflacionário. Daly avaliou que a possibilidade de aumentar ainda mais as taxas é menor, mas ressaltou que a situação exigirá um delicado equilíbrio entre controlar a inflação e preservar o pleno emprego.
Desafios para o Federal Reserve e o mercado de trabalho
A presidente do Fed enfatizou a importância de conduzir a política monetária de forma a não sacrificar o emprego na busca pela estabilidade dos preços. Ela ressaltou que o impacto da inflação alta afeta diretamente as famílias, que enfrentam custos elevados com bens essenciais como combustível e fertilizantes agrícolas.
Além disso, explicou que o aumento dos preços da energia tem efeitos negativos sobre o crescimento econômico, criando um dilema para o Fed na condução da política monetária. Daly reconheceu que o conflito no Irã traz uma camada adicional de incerteza que prolonga o trabalho necessário para conter a inflação sem causar recessão.
Contexto econômico e perspectivas para 2026
Até o momento, o Federal Reserve manteve as taxas de juros entre 3,50% e 3,75% nas duas primeiras reuniões do ano, refletindo uma postura cautelosa diante dos riscos externos. Muitos formuladores de política monetária, incluindo Daly, acreditavam inicialmente que a inflação poderia diminuir com a redução das tarifas até o final de 2026, permitindo cortes nas taxas de juros.
Contudo, o choque do petróleo reverteu essas expectativas, sugerindo que a inflação pode persistir mais tempo. Daly destacou que um relatório recente do governo americano indica que os preços ao consumidor subiram no ritmo mais rápido em quase quatro anos, refletindo os efeitos do conflito e dos custos de energia elevados.
Conclusão: o impacto do choque do petróleo e a estratégia do Fed
Mary Daly reforça que o choque do petróleo decorrente do conflito no Irã é um fator crítico que estende o prazo para a redução da inflação nos Estados Unidos. A política monetária permanece restritiva, mas o Fed deve agir com cautela para equilibrar a estabilidade dos preços e a saúde do mercado de trabalho.
Este contexto externo volátil demanda flexibilidade e monitoramento contínuo, pois os desdobramentos do conflito e os preços da energia influenciarão as decisões futuras sobre juros e a trajetória da economia americana.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: NurPhoto/Getty Images/The New York Times Licensing Group