Inflação pelo IGP-DI registra queda inesperada em fevereiro de 2026

Khaled Abdullah

IGP-DI surpreende mercado com deflação de 0,84%, indicando recuo nos preços ao produtor e consumidor

Em fevereiro de 2026, a inflação medida pelo IGP-DI caiu 0,84%, superando previsões e refletindo quedas nos preços ao produtor e consumidor.

Contexto da inflação pelo IGP-DI em fevereiro de 2026

Em fevereiro de 2026, a inflação pelo IGP-DI registrou uma queda de 0,84%, superando as expectativas do mercado financeiro que projetavam uma retração de 0,62%. O índice, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira (6), mostra uma reversão significativa após a alta de 0,20% observada em janeiro. O resultado levou a um acumulado negativo de 2,91% nos últimos 12 meses, sinalizando um cenário de deflação em diversos setores econômicos. André Braz, economista do FGV IBRE, explicou que o movimento é reflexo das variações nos preços ao produtor e ao consumidor, com destaque para commodities e serviços. Este panorama é relevante para investidores, formuladores de políticas públicas e consumidores, pois afeta decisões econômicas e o poder de compra da população.

Desempenho do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI)

O IPA-DI, que representa 60% do IGP-DI, apresentou queda de 1,21% em fevereiro, diferentemente do mês anterior, quando os preços estiveram estáveis. Essa variação negativa foi influenciada pela queda nos preços de commodities essenciais como minério de ferro, soja, café e milho. Apesar disso, houve pressão de alta por parte de proteínas como carne bovina, ovos e bovinos, setores que enfrentaram aumentos significativos. Segundo Braz, a queda nas commodities compensou as altas nas proteínas, explicando o balanço final do índice. Essa oscilação reflete a complexidade da cadeia produtiva e a sensibilidade do setor agropecuário às condições de mercado e clima.

Queda nos preços ao consumidor e serviços impactados

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que compõe 30% do IGP-DI, registrou retração de 0,14% em fevereiro, um contraste com a alta de 0,59% em janeiro. Essa redução nos preços ao consumidor foi impulsionada principalmente pelo setor de serviços. Destacam-se as passagens aéreas, que sofreram queda após um período de alta demanda, e o segmento de cinemas, que teve redução nos preços decorrente da Semana Nacional do Cinema, evento que promoveu ingressos mais baratos. Esses fatores influenciaram o comportamento do IPC, refletindo mudanças no consumo e nas promoções sazonais que afetam os preços ao consumidor final.

Evolução do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC)

O INCC, responsável por medir os custos na construção civil e que compõe parte do IGP-DI, apresentou alta de 0,28% em fevereiro, desacelerando em relação ao aumento de 0,72% registrado no mês anterior. Esse movimento indica uma desaceleração nos custos de insumos e serviços relacionados à construção civil, um setor que impacta diretamente na economia e nos investimentos imobiliários. A estabilidade ou queda nos custos de construção pode contribuir para melhorias no mercado imobiliário e nos financiamentos habitacionais.

Impactos e perspectivas para a economia

A deflação registrada pelo IGP-DI em fevereiro de 2026 traz implicações importantes para a economia brasileira. A queda nos preços ao produtor pode indicar pressão sobre margens das empresas, especialmente no setor agroindustrial, enquanto o recuo nos preços ao consumidor pode aliviar o custo de vida da população. Contudo, a deflação prolongada pode afetar a rentabilidade dos negócios e a dinâmica econômica. Observadores do mercado devem acompanhar de perto esses indicadores para entender as tendências inflacionárias e seus reflexos na política monetária, investimentos e no poder de compra dos brasileiros.

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Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Khaled Abdullah

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