A alta dos preços da gasolina e do querosene de aviação eleva os custos operacionais e pode refletir no preço final dos alimentos
A inflação de combustíveis na aviação agrícola eleva os custos de produção no campo e pode pressionar o preço dos alimentos no Brasil.
Os impactos da inflação de combustíveis na aviação agrícola brasileira
A inflação de combustíveis na aviação agrícola tem provocado um aumento expressivo nos custos operacionais das empresas do setor, especialmente no Centro-Oeste do Brasil, região que concentra a maior parte da produção agrícola e da frota aeroagrícola. Segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), em abril, a gasolina de aviação registrou uma inflação de 67,3%, enquanto o querosene de aviação teve alta de 51,6%. Esse movimento atípico eleva em cerca de 25% os custos relacionados aos combustíveis, um efeito que extrapola a normalidade para o setor.
Como a volatilidade internacional influencia os preços do combustível para aviação
A rápida variação nos preços dos combustíveis está fortemente ligada a fatores internacionais, como a alta de quase 58% no óleo de aquecimento (heating oil) e a instabilidade no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores globais para transporte de petróleo. Essas condições geram incertezas para o planejamento das operações aeroagrícolas, que dependem do abastecimento contínuo e do controle de custos para manter a produção eficiente e rentável.
Composição da frota aeroagrícola e os combustíveis utilizados
A frota de aviação agrícola tripulada no Brasil é abastecida majoritariamente por gasolina de aviação (51%) e querosene de aviação (30%), com o etanol representando 19%. Enquanto a gasolina e o querosene sofreram fortes aumentos, o etanol apresentou maior estabilidade, com alta de apenas 6,9%. Essa diversidade no uso de combustíveis revela diferentes estratégias de operação, mas o impacto global dos combustíveis fósseis continua pressionando os custos das operações aéreas agrícolas.
Consequências para a produção agrícola e a economia brasileira
O aumento dos custos operacionais devido à inflação dos combustíveis pode refletir diretamente no preço final dos alimentos, afetando consumidores e exportações. Como 83% da produção agrícola está concentrada em oito estados, onde também está 87% da frota aeroagrícola, a sensibilidade do sistema produtivo a essas variações é elevada. Isso pode alterar a competitividade do Brasil no mercado internacional, elevando o custo da logística e influenciando a balança comercial do país.
Iniciativas para biocombustíveis sustentáveis na aviação agrícola
Em resposta a esses desafios, a Acelen Renováveis, subsidiária do Mubadala Capital, firmou parceria com a startup europeia Finboot para implementar rastreabilidade na produção de macaúba, uma palmeira nativa que se destaca como matéria-prima para biocombustíveis sustentáveis no Brasil. O projeto visa monitorar até 1,5 mil hectares plantados, com a meta de produzir 1 bilhão de litros de combustível sustentável para aviação (SAF) e diesel renovável (HVO), contribuindo para a redução da dependência dos combustíveis fósseis e a mitigação dos impactos econômicos da inflação atual.
Perspectivas futuras para o setor aeroagrícola e sustentabilidade
A aviação agrícola no Brasil opera a segunda maior frota mundial de aviões e helicópteros agrícolas, com potencial para atender mais de 100 milhões de hectares. O aumento dos custos impulsiona a busca por soluções mais sustentáveis e eficientes, incluindo o uso ampliado de biocombustíveis e tecnologias de rastreamento para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva. A evolução desse cenário será crucial para manter a competitividade do setor e minimizar impactos negativos sobre a economia e o abastecimento agrícola nacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: CASTOR BECKER JR