Indicador que antecipa o PIB aponta alta, mas juros elevados mantêm alerta sobre ritmo da economia
O IBC-Br apresentou alta de 0,8% em janeiro, indicando crescimento generalizado, mesmo com expectativas de desaceleração econômica.
Panorama geral do IBC-Br em janeiro
O IBC-Br crescimento janeiro registrou alta de 0,8% no mês, mostrando uma expansão ampla da atividade econômica. Apesar desse avanço, o cenário de juros restritivos permanece como fator de desaceleração no radar dos agentes econômicos. Rodolfo Margato, economista da XP, apontou que o setor de serviços cresceu 0,8%, recuperando-se de resultados fracos no final do ano anterior, e a indústria cresceu 0,4% após um período de quedas consecutivas.
Análise setorial detalhada do crescimento econômico
O setor agrícola teve retração de 1,5%, influenciado pela base comparativa elevada devido à safra recorde do ano passado. Excluindo agricultura e pecuária, o IBC-Br subiu 0,9%, sinalizando aceleração em segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico, como serviços e indústria. Rafael Perez, da Suno Research, destacou que o setor de serviços reflete crescimento da renda familiar, digitalização e expansão dos serviços empresariais, enquanto a indústria é impulsionada pela indústria extrativa.
Expectativas para o desempenho econômico em 2026
As medidas governamentais, incluindo isenção do imposto de renda para salários até R$ 5 mil e linha de crédito consignado para o setor privado, devem fomentar o consumo e crédito ao longo do ano. A XP projeta que essas políticas podem agregar 0,9 ponto percentual ao crescimento anual do PIB, com expectativa de crescimento de 1% no primeiro trimestre e 2% para o ano completo. A Suno Research e o PicPay têm projeções semelhantes, de 1,8% e 1,7% respectivamente.
Impacto da política monetária e cenários futuros
André Valério, do Inter, considera o resultado de janeiro um repique, não uma mudança definitiva, dada a recuperação de perdas de dezembro. O crescimento de apenas 1% na comparação anual reforça essa visão. Após a temporada sazonal positiva, espera-se que os juros altos afetem consumo e investimentos, desacelerando gradualmente o ritmo econômico. O Copom enfrenta o desafio de equilibrar cortes na taxa Selic com o risco inflacionário, diante do cenário internacional e interno.
Perspectivas dos especialistas sobre o ciclo econômico e política fiscal
Sara Paixão, da InvestSmartXP, ressalta a cautela na decisão do Copom, considerando dados de inflação desafiadores e o avanço da atividade econômica. A expectativa passou para um corte de 0,25 ponto percentual. Já Matheus Pizzani, do PicPay, vê o desempenho inicial do ano influenciado por fatores sazonais como reajuste do salário mínimo e benefícios fiscais, prevendo uma desaceleração progressiva conforme os efeitos da política monetária se intensifiquem.
O comportamento do IBC-Br em janeiro revela um momento de crescimento generalizado, mas com evidências claras de que a economia brasileira deve enfrentar uma desaceleração gradual ao longo de 2026, exigindo atenção contínua das autoridades e agentes econômicos.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Tânia Rêgo/Agência Brasil