Estudo da Tendências Consultoria aponta impactos econômicos negativos e elevação da informalidade com alteração na jornada de trabalho
Estudo da Tendências Consultoria revela que o fim da escala 6×1 elevaria informalidade e causaria queda de 3,7% no PIB no primeiro ano.
Impactos econômicos do fim da escala 6×1 segundo estudo da Tendências Consultoria
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, discutido recentemente no Congresso Nacional, tem gerado preocupação devido a um estudo da Tendências Consultoria, realizado a pedido da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Segundo o levantamento apresentado em 10 de fevereiro de 2026, em Brasília, a medida pode provocar uma queda de 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) já no primeiro ano de sua implementação, com uma redução acumulada próxima a 4,9% em cinco anos. A análise indica ainda que haverá aumento da informalidade e demissões em escala significativa entre trabalhadores formais.
Consequências para o mercado de trabalho e informalidade
O estudo da Fiep/Tendências aponta que o fim da escala 6×1 poderá impactar diretamente cerca de 1,5 milhão de trabalhadores formais, que poderão enfrentar demissões ou migração para o mercado informal. Além dessas perdas, o relatório indica riscos como a redução da carga horária contratada, diminuição da produção e possível substituição de mão de obra por trabalhadores com salários inferiores. Também é esperado que haja um aumento da dupla ocupação, cenário que pode afetar a qualidade de vida e a segurança trabalhista desses profissionais.
Produtividade e seus limites diante da proposta de mudança
Ainda que a proposta de extinção da escala 6×1 possa gerar um ganho de produtividade estimado em 2%, esse percentual é considerado baixo frente à produtividade estrutural do Brasil, que tem se mantido praticamente estagnada nas últimas três décadas. O estudo ressalta que esse leve aumento não compensaria os impactos negativos previstos na economia e no emprego formal.
Impactos no setor público e nas finanças governamentais
Além do setor privado, o estudo alerta para efeitos colaterais na esfera pública. Estados e municípios, que dependem de contratos com prestadores de serviços terceirizados, especialmente nas áreas de limpeza e segurança, podem sofrer com a redução da jornada de trabalho, o que poderá elevar custos e prejudicar o funcionamento desses serviços essenciais. Consequentemente, isso também pode pressionar ainda mais os cofres públicos.
A indústria brasileira e a competitividade frente à proposta
A Fiep destaca que a indústria nacional é heterogênea, composta por setores com níveis variados de automação, margem de lucro e competição internacional. Uma mudança uniforme, como a proposta do fim da escala 6×1, sem consideração dessas diferenças, pode provocar aumento dos custos operacionais, perda de competitividade, retração nos investimentos e impacto direto na manutenção e criação de empregos.
Necessidade de políticas para aumento da produtividade antes de mudanças na jornada
A federação paranaense enfatiza que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho deve ser precedida de políticas concretas para a elevação da produtividade no trabalho. O Brasil registra ganhos muito modestos nesse indicador nos últimos dez anos, o que limita o potencial de crescimento econômico. Para avançar, são necessários esforços em modernização tecnológica, qualificação da mão de obra, políticas industriais focadas, ambiente regulatório estável, simplificação tributária e acesso facilitado ao crédito.
Conclusão: avaliação crítica do fim da escala 6×1
O estudo da Tendências Consultoria alerta para o risco de que a promessa de benefícios sociais e econômicos com o fim da escala 6×1 se converta em fator de instabilidade para empresas, trabalhadores e para o país. A análise sugere que, sem uma estratégia abrangente para elevar a produtividade e adaptar a estrutura produtiva, a redução da jornada poderá resultar em efeitos adversos significativos para o mercado de trabalho e para a economia brasileira como um todo.
Fonte: www.infomoney.com.br