Copom avalia ritmo dos cortes de juros diante da alta do petróleo

Raphael Ribeiro (Banco Central

Com impacto do conflito no Oriente Médio, Banco Central pondera cautela na redução da Selic para controlar riscos inflacionários

Copom enfrenta cenário incerto em março, avaliando cortes de juros mais cautelosos diante do aumento do petróleo e riscos à inflação.

Contexto da reunião do Copom em meio à alta do petróleo e incertezas inflacionárias

O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza sua reunião nos dias 17 e 18 de março, enfrentando um cenário bem diferente daquele previsto há poucas semanas. O aumento expressivo no preço do barril de petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, especialmente os ataques contra o Irã, trouxe riscos adicionais para a inflação brasileira. A alta do petróleo pode provocar um efeito cascata nos preços domésticos, pressionando o IPCA e obrigando o Banco Central a ajustar sua estratégia de juros para manter a inflação sob controle.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, destaca que o Copom deve iniciar o ciclo de cortes de juros de forma cautelosa, provavelmente reduzindo a Selic em 0,25 ponto percentual, diferente da expectativa inicial de 0,50 ponto percentual. Essa postura visa observar a evolução do conflito e seus impactos econômicos antes de acelerar os cortes.

Principais projeções para o ritmo dos cortes na taxa Selic

A maioria dos analistas concorda que o Copom manterá a tendência de corte na Selic, mas a intensidade será menor devido ao cenário internacional complexo. Enquanto o C6 Investimentos, Austin Rating e Suno Research projetam cortes entre 0,25 e 0,50 ponto percentual, há consenso sobre a necessidade de prudência.

Rodolfo Sartori, economista da Austin Rating, acredita que a Selic pode ser reduzida em 0,50 ponto percentual nesta reunião, com uma taxa terminal projetada em 11,5%. Ele ressalta que a política de preços da Petrobras ainda atua como um amortecedor, segurando os repasses dos preços internacionais para os combustíveis domésticos, mas isso tem limite.

Já Gustavo Sung, da Suno Research, destaca que o Copom deverá sinalizar cortes nas próximas reuniões, porém de modo gradual e flexível, preservando margem de manobra diante da incerteza sobre o conflito e o impacto inflacionário.

Impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e a inflação brasileira

A cotação do petróleo Brent subiu de cerca de US$ 66 em janeiro para superar os US$ 100 em meados de março, uma variação significativa que pode pressionar os custos internos, especialmente combustíveis. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem de preços já alcançou até 72% no diesel.

Essa conjuntura cria um cenário inflacionário desafiador, com possibilidade de aumentar o IPCA para níveis acima da meta, o que pode exigir manutenção de juros mais elevados por período prolongado. Economistas alertam que, caso os preços do petróleo se mantenham elevados por meses, o Copom pode enfrentar um ambiente ainda mais restritivo para os cortes de juros nas próximas reuniões.

Considerações sobre os dados econômicos domésticos e a condução da política monetária

Além dos fatores externos, o Copom avaliará a evolução da inflação e do mercado de trabalho no Brasil. Data recentes mostram sinais mistos: enquanto a criação de empregos continua positiva, a inflação apresentou surpresas acima do esperado em fevereiro.

Luis Felipe Vital, da Warren Investimentos, destaca que o cenário econômico indica desaceleração gradual, porém com pressões inflacionárias persistentes, especialmente nos serviços. A política monetária precisa equilibrar estímulos para evitar um crescimento insuficiente sem abrir espaço para uma inflação fora de controle.

Perspectivas para o ciclo de juros e os desafios futuros do Copom

O Copom enfrenta o desafio de iniciar o ciclo de cortes na Selic em um ambiente de alta volatilidade internacional e inflação ainda pressionada no Brasil. A estratégia mais provável é de cortes graduais e acompanhados de comunicação cuidadosa, para manter a credibilidade da política monetária.

O ritmo e a intensidade dos cortes dependerão da evolução do conflito no Oriente Médio, da reação dos preços internacionais e da resposta da economia doméstica, especialmente no que tange à inflação e emprego. A decisão do Copom será crucial para o equilíbrio entre o estímulo econômico e o controle inflacionário ao longo de 2026.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Raphael Ribeiro (Banco Central

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