Atividade industrial alcança ritmo mais rápido em um ano apesar das tensões globais e alta dos preços de energia
Atividade industrial da China acelera no ritmo mais rápido em 12 meses, enquanto riscos da guerra no Oriente Médio elevam preços de energia e ameaçam o crescimento.
Crescimento industrial da China atinge ritmo mais acelerado em um ano
O crescimento industrial da China em março registrou o ritmo mais rápido dos últimos 12 meses, conforme dados oficiais revelam. O índice de gerentes de compras (PMI) para o setor industrial subiu para 50,4 em março, ultrapassando o limite de 50 que indica expansão, e superando a marca de 49,0 registrada em fevereiro. Este resultado também superou as projeções dos analistas, que esperavam um índice de 50,1, indicando uma recuperação significativa do setor após período de contração predominante em 2025 e início de 2026. Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, destacou que embora o crescimento seja encorajador, a sustentabilidade ainda é incerta devido aos desafios externos.
Impacto dos riscos geopolíticos e da alta dos preços de energia
Apesar da retomada industrial, a economia chinesa enfrenta ventos contrários, principalmente pelo aumento dos preços da energia, impulsionados pela guerra no Oriente Médio. Estes aumentos pressionam os custos para os fabricantes, especialmente aqueles que dependem de exportações e operam com margens estreitas. O subíndice para os preços das matérias-primas saltou de 54,8 em fevereiro para 63,9 em março, refletindo a alta acentuada nos custos das commodities a granel. Além disso, a instabilidade global e o risco de desaceleração econômica, com possível recessão em importantes mercados como a União Europeia, preocupam os formuladores de políticas e empresários.
Papel das exportações e desafios da cadeia de suprimentos global
As exportações continuaram sendo um motor importante para o crescimento industrial no primeiro bimestre do ano, após o superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025. A forte demanda global por produtos eletrônicos, principalmente semicondutores, sustentou esse desempenho. No entanto, a volatilidade nas cadeias de suprimentos globais, intensificada pelos conflitos geopolíticos e tensões comerciais, persiste como um fator de risco significativo. Dan Wang, diretor para a China do Eurasia Group, apontou que a dependência das cadeias industriais estrangeiras aumenta a vulnerabilidade da economia chinesa diante de crises globais.
Perspectivas econômicas e respostas políticas da China
Analistas do ANZ estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) da China no primeiro trimestre de 2026 provavelmente ultrapassará a meta oficial de crescimento entre 4,5% e 5,0%. Com o crescimento dentro da meta, não são esperados novos cortes de juros pela autoridade monetária chinesa em 2026 ou 2027. Em vez disso, as políticas provavelmente focarão em medidas estruturais para mitigar os efeitos do choque do petróleo e estimular o consumo interno. Embora o governo tenha reiterado a intenção de reduzir a dependência da demanda externa, a transição para um modelo de crescimento mais baseado no consumo doméstico levará tempo e poderá enfrentar desafios no curto prazo, sobretudo devido à persistência dos riscos globais.
Estratégias para enfrentar a volatilidade e fortalecer o setor industrial
Frente aos desafios externos, a China busca estratégias para fortalecer sua indústria e mitigar os impactos das tensões globais. O aumento dos preços das matérias-primas e da energia exige adaptações rápidas por parte das empresas, inclusive no ajuste de preços finais, que vêm ocorrendo em ritmo mais moderado, indicando limitações no poder de repassar custos ao consumidor. A diversificação de mercados e o fortalecimento do consumo interno são vistos como essenciais para garantir a resiliência do crescimento industrial e econômico. A conjuntura atual evidencia a necessidade de políticas econômicas flexíveis e estratégias que considerem a complexidade das relações internacionais e a volatilidade do mercado energético.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: REUTERS/Florence Lo