Mercados europeus fecham em baixa com sinais contraditórios das negociações de paz e temores sobre o impacto do conflito no fornecimento energético global
Bolsas da Europa fecharam em queda devido a sinais contraditórios nas negociações entre EUA e Irã e alta do petróleo, elevando preocupações com inflação.
Bolsas da Europa recuam sob incertezas nas negociações entre EUA e Irã e alta do petróleo
Nesta quinta-feira (26), as bolsas da Europa fecharam em queda, refletindo a volatilidade causada por sinais contraditórios nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. O aumento do preço do petróleo, motivado pelo temor de que o conflito se prolongue, impactando o fornecimento global de energia, reforçou a aversão ao risco entre investidores e elevou as preocupações com a inflação e o crescimento econômico mundial.
Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), destacou que a guerra pode gerar “repercussões de longo alcance” para a economia. Por sua vez, Christine Lagarde, presidente do BCE, alertou para a possibilidade de elevação dos juros caso o choque energético pressione ainda mais a inflação.
Desempenho dos principais índices das bolsas europeias em 26 de fevereiro
Londres (FTSE 100): queda de 1,33%, alcançando 9.972,17 pontos
Frankfurt (DAX): recuo de 1,64%, para 22.581,07 pontos
Paris (CAC 40): baixa de 0,98%, a 7.769,31 pontos
Milão (FTSE MIB): queda de 0,71%, chegando a 43.701,84 pontos
Madri (Ibex 35): recuo de 1,40%, com 16.929,80 pontos
Lisboa (PSI 20): perda de 0,19%, situando-se em 8.997,09 pontos
Impactos setoriais e ações em destaque nos mercados europeus
Os setores de mineração e tecnologia foram fortemente impactados, recuando cerca de 2,2% e 2%, respectivamente. Entre as maiores perdas, destacou-se a empresa ASML, com queda de 3,57%. Por outro lado, a varejista britânica Next avançou quase 4,7% em Londres, impulsionada por resultados financeiros acima do esperado e revisão positiva de seu guidance, apesar dos alertas sobre efeitos do conflito no Oriente Médio.
Já a H&M registrou baixa de 2%, motivada por vendas fracas no início do ano, alinhando-se à avaliação de analistas do Citi que indicam desempenho aquém do esperado. Papéis ligados aos setores de transporte e comércio também sofreram, com destaque para a transportadora alemã Hapag-Lloyd, que caiu 3%, reagindo a alertas sobre queda significativa nos lucros devido a gargalos no comércio global.
Perspectivas econômicas e riscos para a Europa com a crise no Oriente Médio
Analistas do Danske Bank indicam que o BCE pode manter as taxas de juros em 2% até 2027, porém com riscos inclinados para alta, caso os choques energéticos persistam. Pesquisa do GfK mostrou que a confiança do consumidor na Alemanha atingiu o nível mais baixo em dois anos, reflexo do aumento dos preços da energia e da incerteza econômica.
A prolongação do conflito no Oriente Médio e seus efeitos no mercado de petróleo pressionam os agentes econômicos europeus, potencialmente agravando a inflação e desacelerando o crescimento regional. A conjuntura exige atenção das autoridades monetárias e políticas para mitigar impactos que podem perdurar no médio e longo prazo.
Conclusão: ambiente de cautela e monitoramento constante dos mercados globais
A combinação de incertezas diplomáticas entre EUA e Irã, aliada à alta do petróleo, criou um cenário de aversão ao risco nas bolsas da Europa em 26 de fevereiro. Investidores mantêm vigilância sobre desdobramentos do conflito e suas consequências econômicas, enquanto bancos centrais ponderam estratégias para equilibrar crescimento e controle inflacionário. O humor dos mercados segue sensível a notícias que possam indicar avanços nas negociações ou agravamento da crise energética global.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Flavio Lo Scalzo