Alta do querosene de aviação impacta expansão dos voos no Brasil

Reajustes no preço do combustível elevam custos das aéreas e limitam crescimento da malha aérea nacional

Reajuste no querosene de aviação elevará custos operacionais das companhias aéreas e freará a expansão dos voos no Brasil.

Reajustes no preço do querosene de aviação elevam custos das companhias aéreas

A alta do querosene de aviação é um dos principais desafios enfrentados pelo setor aéreo brasileiro em fevereiro de 2026. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que o reajuste do preço do combustível, que pode chegar a 56,3% a partir desta quarta-feira, se soma ao aumento de 9,4% registrado em março. Com isso, o custo do combustível passa a representar cerca de 45% dos custos operacionais das companhias, contra pouco mais de 30% anteriormente.

Impactos da alta do querosene de aviação na expansão dos voos nacionais

O efeito direto do aumento do preço do querosene é o freio na expansão da oferta de voos no Brasil. A Abear destaca que a medida compromete a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, prejudicando a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo. Essa situação ocorre num momento em que o Brasil registra recordes no número de passageiros, tanto em voos domésticos quanto internacionais, o que gera demanda por mais frequências e destinos.

Modelo de precificação do combustível e influência do mercado internacional

Diferentemente da gasolina, o preço do querosene de aviação (QAV) no Brasil é indexado ao valor do petróleo no mercado internacional, mesmo que mais de 80% do combustível consumido seja produzido nacionalmente. Essa vinculação expõe o mercado doméstico a choques externos, incluindo tensões políticas globais, como as recentes no Oriente Médio, que influenciam a alta dos preços internacionais dos derivados de petróleo.

Medidas da Petrobras para mitigar o impacto do reajuste do QAV

Para amenizar os efeitos do aumento do querosene, a Petrobras anunciou um cronograma escalonado para que as distribuidoras possam parcelar o reajuste. Em abril, essas distribuidoras poderão pagar um aumento de 18%, abaixo dos 54,8% previstos em contrato, e parcelar o restante em seis vezes, com o primeiro pagamento a partir de julho. Essa iniciativa visa preservar a demanda pelo produto e garantir a saúde financeira das distribuidoras.

Estratégias governamentais para evitar aumento das passagens aéreas

O governo brasileiro estuda a redução da carga tributária incidente sobre o combustível de aviação, incluindo a possibilidade de zerar o IOF sobre as empresas aéreas e reduzir alíquotas de PIS e Cofins. Essas ações pretendem conter o repasse do aumento do custo do combustível para o preço das passagens aéreas, que pode subir até 20%, em um momento delicado para o setor, com alta demanda e pressões cambiais.

Perspectivas futuras para o transporte aéreo diante do aumento do combustível

As companhias aéreas vêm solicitando alívio nos custos e defendem que a Petrobras atue de maneira a não repassar integralmente os aumentos do preço internacional do petróleo. A manutenção da sustentabilidade econômica das operações é vital para que o setor possa continuar acompanhando o crescimento do mercado e ampliando a conectividade no país. A expectativa é que medidas conjuntas do governo e da Petrobras minimizem os impactos negativos dessa alta no combustível.

Fonte: www.infomoney.com.br

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