Alta do diesel pressiona inflação e restringe ações do governo federal

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Escalada nos preços do diesel eleva custos de frete e alimentos, enquanto governo avalia medidas diante de limitações fiscais e conjunturais

A alta do diesel impacta a inflação e encarece o frete, reduzindo o espaço do governo federal para medidas eficazes.

Contexto da alta do diesel e impacto na economia brasileira

A alta do diesel tem pressionado a inflação brasileira desde fevereiro de 2026, quando o conflito entre Estados Unidos e Irã elevou os preços internacionais do petróleo. Conforme relatos do governo federal, o aumento nos custos do combustível já provocou retração de empresas de transporte, elevando o preço do frete e ameaçando o abastecimento da cadeia alimentar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe econômica monitoram atentamente os desdobramentos, conscientes de que a pressão inflacionária pode se intensificar caso a alta persista.

Medidas adotadas pelo governo para conter o avanço dos preços

Em resposta, o governo federal adotou estratégias que mesclam redução tributária, subsídios e reforço na regulação. A eliminação do PIS/Cofins sobre o diesel gerou redução aproximada de R$ 0,32 por litro, e a criação de subvenções aos produtores e importadores tem potencial para aliviar até R$ 0,64 no preço final. Para compensar a perda fiscal, foi estabelecido um imposto de exportação sobre o petróleo com alíquota de 12%, com o propósito de estimular o refino interno e ampliar a oferta doméstica. Paralelamente, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) intensificaram operações de fiscalização contra reajustes indevidos, notificando distribuidoras e investigando possíveis cartéis.

Limitações fiscais e políticas enfrentadas pelo governo federal

Apesar dos esforços emergenciais, especialistas indicam que o espaço para novas medidas é restrito devido às limitações fiscais, políticas e legais. O economista João Leme destaca que os instrumentos disponíveis já foram amplamente utilizados, e a ausência de margem para renúncias adicionais dificulta ações mais contundentes. Além disso, a tributação estadual do ICMS sobre combustíveis representa um obstáculo complexo, pois uma eventual isenção teria impacto fiscal elevado e baixa viabilidade prática, considerando a capacidade financeira dos estados.

Consequências para o agronegócio e a cadeia de alimentos

O agronegócio é diretamente afetado pela alta do diesel, pois os custos de plantio, colheita e transporte aumentam significativamente. O sócio-diretor da MBAgro, José Carlos Hausknecht, alerta para o risco de repasse desses custos ao consumidor final, o que poderia agravar a inflação dos alimentos. A situação cria um dilema para o governo, que busca equilibrar a contenção de preços sem provocar distorções no mercado e sem comprometer as contas públicas.

Perspectivas e desafios para a política energética brasileira

No âmbito estruturante, a crise reacende o debate sobre soberania energética e a necessidade de ampliar a capacidade de refino nacional para reduzir a dependência de importações. O governo tenta, assim, ganhar tempo no curto prazo com medidas emergenciais enquanto desenvolve estratégias para aumentar a resiliência do país a choques externos. A efetividade dessas ações dependerá da evolução do cenário internacional, especialmente do conflito no Oriente Médio e da volatilidade dos preços do petróleo no mercado global.

Fonte: www.infomoney.com.br

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