Setor agrícola enfrenta desafios imediatos pela alta dos preços do diesel, impulsionada pelo conflito no Golfo Pérsico
A alta do diesel, agravada pelo conflito no Irã, pressiona o agronegócio brasileiro em plena safra recorde e demanda intensa por combustível.
Desafios imediatos do agronegócio com a alta do diesel
A guerra no Irã tem provocado uma alta do diesel, principal preocupação do agronegócio brasileiro neste momento. O país depende da importação de aproximadamente 30% do diesel consumido, e o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pelo conflito no Golfo Pérsico, reflete diretamente no custo do combustível no Brasil. Bruno Lucchi, diretor-técnico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), destaca que o preço do barril de petróleo subiu de US$ 80 para cerca de US$ 100, elevando os custos do diesel no campo.
Impacto no período crítico da safra e operações agrícolas
O momento é especialmente delicado para o setor, pois coincide com a maior demanda por diesel para o escoamento da safra recorde de soja, colheita da produção ainda nos campos e plantio da segunda safra, que representa a maior parte do cereal cultivado no Brasil. Além das atividades de colheita e plantio, outras operações essenciais, como tratos culturais e aplicação de insumos, também demandam o uso do combustível. Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ressalta que o diesel representa cerca de 5% do custo total de custeio agrícola, mas essa participação pode ser pressionada pela recente alta de preços.
Relatos de restrições e denúncias de oportunismo no Rio Grande do Sul
Produtores no Rio Grande do Sul têm relatado dificuldades no abastecimento de diesel, com indícios de agentes limitando a oferta para tentar obter preços mais elevados. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já está investigando denúncias relacionadas a essa prática e notificou distribuidoras suspeitas. A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) orienta produtores a reportarem aumentos abusivos ou falta do combustível, encaminhando os dados para órgãos competentes como Ministério Público e Polícia Federal.
Gestão das importações de fertilizantes e perspectivas para o comércio de milho
Apesar do impacto no diesel, a importação de fertilizantes nitrogenados, que também pode ser afetada pela instabilidade no transporte através do Estreito de Ormuz, ainda é considerada gerenciável, já que as necessidades da safra atual estão cobertas e as compras podem ser postergadas. O comércio de milho com o Irã, principal mercado para o cereal brasileiro, concentra-se no segundo semestre, conferindo alguma flexibilidade para ajustes futuros.
Medidas e perspectivas para mitigar os efeitos da alta do diesel
Diante da alta expressiva do petróleo e do diesel, o agronegócio brasileiro enfrenta o desafio de manter a produção e o escoamento da safra sem prejuízos significativos. A atuação coordenada entre associações do setor, órgãos reguladores e governo é fundamental para garantir a oferta adequada do combustível e coibir práticas abusivas. A situação destaca a vulnerabilidade do setor a fatores externos e a importância de políticas públicas que promovam a segurança energética e a estabilidade dos custos para o agronegócio.
Fonte: www.infomoney.com.br