Greve de professores em Curitiba gera impasse após Justiça considerar paralisação ilegal
Categoria inicia mobilização por melhores condições de carreira e benefícios, enquanto decisão judicial determina suspensão do movimento e manutenção das aulas na rede municipal.
Professores anunciam greve e apresentam reivindicações
Os professores da rede municipal de ensino de Curitiba anunciaram o início de uma greve a partir desta quarta-feira (8), após decisão tomada em assembleia que reuniu mais de 2,5 mil participantes, segundo o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac). A categoria reivindica, entre outros pontos, a ampliação das oportunidades de crescimento na carreira e a revisão de benefícios, como o auxílio-alimentação.
De acordo com o sindicato, a proposta apresentada pela Prefeitura foi rejeitada por 97% dos participantes. A entidade afirma que há mais de uma década muitos profissionais não conseguem avançar na carreira e critica condições de trabalho, como salas superlotadas, falta de profissionais de apoio e ausência de benefícios para parte dos docentes.
Prefeitura apresenta proposta e destaca avanços
A Prefeitura de Curitiba informou que apresentou à categoria uma proposta que amplia o número de vagas para progressão na carreira, passando de 20% para 30% do total de servidores aptos, além de melhorias nos percentuais de avanço entre níveis. O plano também prevê evolução funcional para profissionais com mestrado e doutorado.
Segundo a administração municipal, cerca de 7 mil profissionais já tiveram avanços na carreira nos últimos anos, mais de 2,3 mil mudaram de nível e aproximadamente 9 mil recuperaram direitos suspensos durante a pandemia. A gestão também destacou a reposição salarial acumulada de cerca de 45% e a contratação de 1,2 mil novos profissionais para a rede de ensino.
Justiça considera greve ilegal e impõe sanções
O Tribunal de Justiça do Paraná considerou ilegal a paralisação anunciada. Em decisão liminar, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira classificou o movimento como abusivo, apontando que não houve esgotamento das negociações nem cumprimento dos requisitos legais, como a comunicação prévia mínima e a garantia de manutenção dos serviços essenciais.
A decisão estabelece multa diária de R$ 100 mil ao sindicato em caso de descumprimento, além de autorizar o desconto salarial dos servidores que aderirem à greve. Em outra liminar, o desembargador Coimbra de Moura determinou que o sindicato não impeça o acesso de profissionais e usuários às unidades educacionais, sob pena de multa diária de R$ 20 mil.
Mobilização da categoria e continuidade do impasse
Apesar da decisão judicial, a categoria mantém a mobilização e convocou um ato público na Praça 19 de Dezembro, no centro da capital paranaense, na manhã desta quarta-feira. O sindicato afirma que continuará pressionando por melhorias e critica a condução das negociações por parte da gestão municipal.
A Prefeitura, por sua vez, reiterou que o diálogo permanece aberto e garantiu que escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) funcionarão normalmente, assegurando o atendimento aos alunos.
Fonte: Banda B e Prefeitura de Curitiba
Fonte: SECOM Curitiba