Análise da Confederação Nacional da Indústria revela maior impacto no Sul em cenários de compensação por horas extras ou novas contratações
Estudo da CNI indica que a redução da jornada para 40h semanais impactaria com maior intensidade a região Sul, elevando custos das indústrias em até 8,1%.
Impactos da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais na economia brasileira
A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais tem sido objeto de análise detalhada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), especialmente no que tange aos impactos econômicos nas diferentes regiões do Brasil. Em estudo publicado em 27 de fevereiro de 2026, a CNI destaca que a região Sul do país seria a mais afetada em termos percentuais, seja através da compensação das horas reduzidas por meio de horas extras ou da contratação de novos trabalhadores.
Cenários de compensação e seus efeitos nos custos das indústrias
O estudo da CNI considerou dois principais cenários para compensar a redução da jornada: o primeiro, com aumento das horas extras; o segundo, com contratação de novos empregados. No cenário de horas extras, a região Sul enfrentaria um aumento estimado de 8,1% nos custos trabalhistas para as indústrias, o maior entre todas as regiões. Já na hipótese de novas contratações, o acréscimo seria de 5,4%, também a maior variação percentual regional. Essas diferenças refletem a estrutura produtiva e a intensidade de mão de obra presente na região.
Região Sudeste registra maior impacto absoluto, mas menor variação relativa
Embora o Sul lidere em percentual de aumento dos custos, o Sudeste apresenta o maior impacto absoluto, com estimados R$ 143,8 bilhões de acréscimo em despesas com empregados formais. Isso se explica pela concentração maior de empresas e volume de mão de obra na região. No entanto, a variação percentual no Sudeste é inferior à do Sul, apontando para uma diferença na sensibilidade das regiões frente à mudança na jornada.
Reflexos na competitividade e na organização do trabalho no Brasil
Ricardo Alban, presidente da CNI, enfatiza que o debate sobre a redução da jornada deve ser feito com cautela, uma vez que os impactos não são uniformes em todo o país. O aumento dos custos prejudica a competitividade das empresas e pode afetar a organização do trabalho, especialmente em regiões mais intensivas em mão de obra, como o Sul. Além disso, a recomposição integral das horas reduzidas é economicamente improvável e operacionalmente inviável para muitos segmentos industriais.
Considerações finais sobre os desafios para a implementação da medida
Independentemente da estratégia adotada pelas empresas para compensar a redução da jornada, seja por horas extras ou novas contratações, o aumento significativo nos custos laborais pode gerar efeitos em cascata na economia. Isso inclui elevação dos preços dos insumos, pressão inflacionária e impactos nas cadeias produtivas. Portanto, as autoridades e setores envolvidos devem levar em conta as particularidades regionais para avaliar a viabilidade e as consequências desta possível reforma trabalhista no Brasil.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Marcelo Camargo / Agência Brasil