Após suspensão da Anvisa, Ypê afirma que produtos são seguros e tenta reverter decisão sobre recolhimento de lotes
Fabricante da marca Ypê contesta medida da Anvisa após suspensão da fabricação e recolhimento de produtos por falhas identificadas nas Boas Práticas de Fabricação e presença de bactéria em lotes específicos.
Anvisa suspende fabricação e amplia recolhimento de produtos da Ypê
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento de diversos produtos da marca Ypê produzidos na unidade da Química Amparo, localizada em Amparo, no interior de São Paulo. A decisão, publicada nesta quinta-feira (7), atinge detergentes lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes pertencentes a lotes cuja numeração termina em 1. A medida foi adotada após inspeções realizadas pela agência em conjunto com as vigilâncias sanitárias estadual e municipal identificarem falhas consideradas graves nos processos produtivos da empresa.
Segundo a Anvisa, os problemas encontrados comprometem as chamadas Boas Práticas de Fabricação de saneantes, principalmente em etapas ligadas ao controle de qualidade e aos sistemas de garantia sanitária. A agência afirma que as irregularidades aumentam o risco de contaminação microbiológica dos produtos, motivo pelo qual a determinação não ficou restrita apenas aos lotes inicialmente investigados. Com isso, a decisão passou a abranger todos os produtos das categorias listadas que apresentem numeração final 1 em seus lotes.
Empresa afirma que produtos não oferecem riscos aos consumidores
Após a decisão da Anvisa, a Química Amparo divulgou nota afirmando possuir fundamentação científica baseada em testes laboratoriais e laudos técnicos independentes que atestariam a segurança dos produtos comercializados. A fabricante sustenta que os itens das categorias atingidas pela medida não representam risco à saúde da população e afirma manter diálogo constante com a agência reguladora para tentar reverter a suspensão no menor prazo possível.
A empresa classificou a decisão da Anvisa como arbitrária e desproporcional, além de informar que irá recorrer administrativamente. Segundo a fabricante, novas informações técnicas serão apresentadas para comprovar a segurança dos produtos e demonstrar que o uso doméstico adequado reduz drasticamente qualquer possibilidade de risco microbiológico.
A crise envolvendo a marca teve início ainda em novembro de 2025, quando a própria Química Amparo comunicou voluntariamente o recolhimento cautelar de alguns lotes de lava-roupas líquidos após identificar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos específicos. Na ocasião, a empresa alegou ter adotado medidas preventivas para evitar impactos aos consumidores e reforçou que o recolhimento era uma ação de precaução.
Entenda o que é a bactéria encontrada nos produtos
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria amplamente encontrada no ambiente, podendo estar presente na água, no solo, no ar e até mesmo na pele de pessoas saudáveis. Na literatura médica, ela é classificada como um microrganismo oportunista, ou seja, normalmente não causa problemas em indivíduos saudáveis, mas pode provocar infecções em pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Especialistas explicam que a bactéria costuma se desenvolver em ambientes úmidos, como lavatórios, piscinas com tratamento inadequado, banheiras e soluções antissépticas vencidas. Em pessoas vulneráveis, as infecções podem variar desde irritações superficiais até quadros mais graves com risco de morte.
Entre os grupos considerados mais suscetíveis estão pacientes em tratamento contra o câncer, pessoas transplantadas que utilizam medicamentos imunossupressores, indivíduos com HIV sem controle adequado, pacientes que fazem uso prolongado de corticoides e pessoas em tratamento de doenças autoimunes. Também apresentam maior risco pacientes hospitalizados, diabéticos e pessoas com fibrose cística.
Fabricante minimiza riscos e orienta consumidores
Em sua manifestação oficial, a Química Amparo afirmou que não existem registros na literatura médica de infecções causadas pelo uso de roupas lavadas com detergentes domésticos, mesmo em cenários de contaminação microbiológica. A empresa também destacou que a bactéria não se volatiliza, não é transportada por fragrâncias e não representa risco por inalação.
Segundo a fabricante, o principal cuidado deve ocorrer no contato direto e prolongado do produto concentrado com a pele, especialmente no caso de pessoas imunossuprimidas que possuam feridas abertas. A orientação é para que os consumidores lavem as mãos após o manuseio dos produtos e garantam que as roupas estejam devidamente enxaguadas e secas antes da utilização.
A empresa reforçou ainda que o processo normal de lavagem, com diluição do produto em água, reduz significativamente qualquer eventual carga bacteriana presente no conteúdo. Apesar disso, a fabricante informou que continuará colaborando com as autoridades sanitárias durante as investigações.
Consumidores devem verificar lotes e interromper uso dos produtos afetados
Tanto a Anvisa quanto a fabricante orientam os consumidores a verificarem atentamente o número do lote presente nos rótulos dos produtos. Caso a numeração termine em 1, a recomendação é suspender imediatamente o uso e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para realizar a substituição.
A medida afeta dezenas de produtos comercializados nacionalmente, incluindo linhas de lava-louças Ypê, lava-roupas líquidos Tixan Ypê e desinfetantes Bak Ypê, Atol e Pinho Ypê. Entre os itens atingidos estão produtos como Lava-Louças Ypê Clear Care, Lava-Roupas Líquido Tixan Ypê Antibac, Lava-Roupas Líquido Ypê Premium e Desinfetante Bak Ypê.
Embora o risco à população em geral seja considerado baixo pelas autoridades sanitárias, o caso gerou ampla repercussão por envolver uma das principais marcas de produtos de limpeza do país. A expectativa agora é pela análise dos recursos apresentados pela fabricante e pela continuidade das inspeções sanitárias que deverão definir se a empresa conseguirá retomar a produção normalmente nos próximos dias.
Fonte: g1.globo.com
Fonte: Divulgação / Anvisa / Ypê