Negociações entre os dois países buscam fortalecer cadeias de suprimentos estratégicos, mesmo em meio a atritos políticos recentes
Eua e Brasil negociam acordo para fortalecer cadeias de minerais críticos, mesmo diante de tensões diplomáticas recentes.
Avanços nas negociações sobre minerais críticos entre EUA e Brasil
Em 18 de março de 2026, os Estados Unidos e o Brasil deram passos significativos rumo a um acordo sobre minerais críticos, conforme anunciado pelo encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar. Apesar das tensões diplomáticas recentes, o diálogo mantém-se ativo, com o objetivo de fortalecer as cadeias de suprimentos desses recursos estratégicos. Escobar destacou que existe uma proposta para um acordo em nível federal e que conversas preliminares já foram realizadas, mas ainda aguardam definições.
Contexto diplomático e desafios enfrentados nas negociações
As relações diplomáticas entre Brasília e Washington têm enfrentado atritos nos últimos dias. O governo brasileiro retirou-se de um fórum patrocinado pela embaixada norte-americana após um episódio envolvendo a tentativa de um funcionário dos EUA de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, uma ação vista como interferência em assuntos internos. Além disso, o Brasil cancelou a participação oficial no Fórum Brasil-Estados Unidos sobre Minerais Críticos, devido a conflito de agenda e insatisfação com negociações paralelas feitas diretamente com o Estado de Goiás.
O papel estratégico do estado de Goiás no acordo bilateral
O Estado de Goiás ganhou destaque nas negociações ao firmar um acordo separado com os EUA, focado em cooperação mineral e tecnológica. Goiás possui reservas valiosas de lítio e nióbio, além de abrigar a única empresa brasileira que produz terras raras comercialmente, a Serra Verde, com suporte de investidores norte-americanos. O acordo com Goiás visa desenvolver capacidades completas de processamento mineral, incluindo separação, metalização e fabricação de ímãs permanentes, alinhando-se à prioridade do governo federal em ampliar o processamento doméstico desses minerais.
Impactos do acordo para a diversificação da cadeia global de minerais
A busca dos EUA por diversificação das cadeias de fornecimento de minerais críticos é motivada pelo domínio atual da China nesse setor. O Brasil, com seus abundantes recursos minerais, é visto como um destino promissor para investimentos que podem somar bilhões de dólares. Estima-se que cerca de US$ 600 milhões já foram investidos por entidades americanas como a Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional e o banco EXIM. Essas iniciativas podem fortalecer a independência estratégica dos EUA e ampliar a participação brasileira no mercado global.
Perspectivas futuras e o papel das negociações bilaterais
As negociações em curso entre Brasil e Estados Unidos também se conectam a agendas diplomáticas mais amplas, incluindo uma possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington. Apesar do adiamento de encontros presidenciais devido a tensões regionais e globais, a cooperação em minerais críticos permanece um ponto de convergência. A continuidade do diálogo é vista como fundamental para consolidar parcerias comerciais e tecnológicas que atendam às necessidades estratégicas de ambos os países, superando obstáculos políticos temporários.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Dado Ruvic