Precarização no setor de games com ia gera preocupação entre brasileiros

AFP

Levantamento revela que 45,9% dos gamers temem impactos da inteligência artificial no mercado de jogos

Precarização no setor de games com ia gera preocupação entre brasileiros
Jogador utiliza controle em frente a tela de videogame. Foto: AFP

Pesquisa revela que 45,9% dos brasileiros temem a precarização no setor de games com IA, apesar do interesse em jogos gerados artificialmente.

Precarização no setor de games com IA gera debate no Brasil

A preocupação com a precarização no setor de games com IA tem ganhado força entre os brasileiros que consomem jogos digitais. Segundo o levantamento da 13ª edição da Pesquisa Game Brasil, realizado entre 5 e 13 de março de 2026, 45,9% dos entrevistados manifestam receio de perda de empregos e precarização do mercado criativo devido à inteligência artificial generativa.

Mauro Berimbau, professor da ESPM, destaca que o debate vai além do simples apoio ou rejeição ao uso da IA. A discussão envolve a ética e a ponderação sobre como a tecnologia impacta profissionais da indústria e a qualidade dos jogos.

Impactos da inteligência artificial na indústria de jogos

Grandes empresas como Electronic Arts, Ubisoft, Microsoft e Epic Games já incorporam a IA generativa para otimizar a produção de jogos. A tecnologia promete acelerar o desenvolvimento, aumentar a eficiência e reduzir custos, representando uma transformação importante no setor.

Entretanto, a adoção da IA não está isenta de críticas. A pesquisa mostra que 39,6% dos brasileiros temem o uso indevido do trabalho de artistas e criadores, com potencial violação de direitos autorais. Além disso, 38,4% receiam a perda da qualidade dos jogos em razão da automação excessiva.

Perfil do público gamer brasileiro e aceitação da IA

Apesar das preocupações, os jogadores brasileiros demonstram abertura para consumir jogos produzidos com auxílio da IA. O levantamento indica que 40,9% poderiam talvez comprar títulos com conteúdo gerado artificialmente, e 39,3% afirmam que certamente adquiririam esses games. Apenas 15,4% rejeitariam jogos produzidos com tecnologia de IA.

A pesquisa revela ainda que 75,3% dos brasileiros entre 16 e 55 anos jogam algum tipo de game digital. O público é majoritariamente feminino (52,8%), jovem (36,5% entre 16 e 29 anos, geração Z) e com renda acima de três salários mínimos. O celular é o principal dispositivo de acesso, seguido por consoles e computadores.

A realidade do mercado de trabalho e desafios para desenvolvedores

A preocupação com a precarização tem fundamentos concretos. A Square Enix, por exemplo, confirmou redução de equipes fora do Japão, substituindo parte do trabalho humano por IA generativa. Dados da Game Developers Conference apontam que mais de 25% dos desenvolvedores perderam seus empregos nos últimos dois anos, e quase metade não conseguiu recolocação.

Embora a IA auxilie em tarefas como dublagem e criação gráfica, a produção ainda depende muito do talento humano para garantir qualidade e originalidade.

Iniciativas e futuro da indústria de games no Brasil

O cenário desafiante não impede iniciativas para promover formação e inclusão no setor de games brasileiro. Programas como o Futuro Gamer, em São Paulo, buscam levar capacitação tecnológica a periferias, ampliando o acesso a profissões ligadas aos jogos digitais.

Diante das transformações trazidas pela inteligência artificial, o setor de games enfrenta o desafio de equilibrar inovação, ética e valorização do trabalho humano, refletindo na percepção e nas escolhas do público consumidor brasileiro.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: AFP

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