Setor varejista brasileiro registra crescimento de 0,4% em janeiro, superando expectativas diante de cenário econômico desafiador
Vendas no varejo do Brasil cresceram 0,4% em janeiro, superando previsões e indicando resistência econômica apesar do cenário desafiador.
Vendas no varejo do Brasil avançam 0,4% em janeiro apesar de cenário desafiador
As vendas no varejo do Brasil tiveram alta de 0,4% em janeiro na comparação com dezembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este desempenho surpreende, pois contrariou a expectativa de queda de 0,1% apontada em pesquisas. O crescimento posiciona janeiro como o mês com maior volume de vendas da série histórica da margem, atingindo patamar similar a novembro de 2025. Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, destaca que tal resultado evidencia a força das vendas no varejo do Brasil, mesmo em um contexto econômico marcado por juros elevados, atualmente em 15%, e desafios internacionais ligados ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Impacto das condições econômicas sobre o varejo brasileiro em 2026
O início de 2026 mostra sinais de resiliência no consumo interno, com o mercado de trabalho permanecendo sólido e sustentando a demanda, apesar da alta taxa básica de juros Selic. O Banco Central sinalizou início de ciclo de cortes, mas o cenário geopolítico recente trouxe incertezas adicionais. A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, com quase estagnação no último trimestre do ano, refletindo um ambiente cauteloso. Neste contexto, o desempenho das vendas no varejo do Brasil em janeiro indica resistência, sugerindo que o consumidor continua ativo mesmo diante da elevação dos custos financeiros.
Setores que impulsionaram o crescimento do varejo em janeiro
Entre as oito atividades analisadas na pesquisa do IBGE, quatro setores mostraram crescimento expressivo no volume de vendas, impulsionando as vendas no varejo do Brasil. Destacam-se artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com alta de 2,6%; tecidos, vestuário e calçados, que subiram 1,8%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, que avançaram 1,3%; e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceram 0,4%. Esses segmentos refletem uma demanda consistente por bens essenciais e itens pessoais, contribuindo para o avanço geral.
Desafios enfrentados por segmentos específicos do varejo brasileiro
Por outro lado, alguns setores importantes do varejo brasileiro registraram queda nas vendas em janeiro. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação tiveram recuo significativo de 9,3%, influenciados pela volatilidade do dólar e estratégias de reposição de estoques após eventos promocionais como Black Friday e Natal. Livros, jornais, revistas e papelaria caíram 1,8%, e combustíveis e lubrificantes tiveram baixa de 1,3%. Já móveis e eletrodomésticos permaneceram estáveis, refletindo um mercado mais conservador. Essas variações evidenciam como a conjuntura externa e decisões estratégicas empresariais impactam a dinâmica do varejo.
Comércio varejista ampliado apresenta crescimento sólido em janeiro
Considerando o comércio varejista ampliado, que engloba veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve crescimento de 0,9% em janeiro na comparação com dezembro. Na base anual, o avanço foi de 1,1%. Este resultado reforça a capacidade de recuperação e a diversificação do setor varejista no Brasil, demonstrando que diferentes segmentos contribuem para a retomada econômica e indicam perspectivas de continuidade da expansão do consumo interno no curto prazo.