Deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) realiza ato de blackface na Alesp e faz declarações consideradas racistas e transfóbicas durante sessão
Durante sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo, parlamentar se pintou de “negra” e fez ataques à deputada federal Erika Hilton, gerando reação de outras deputadas e denúncias de racismo e transfobia.
Deputada realiza blackface durante sessão na Alesp e gera forte repercussão
Um episódio polêmico marcou a 27ª Sessão Ordinária da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), realizada na terça-feira (18). A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) protagonizou um ato amplamente criticado ao se pintar de “negra” durante seu discurso, ação que caracteriza a prática conhecida como blackface.
Além do ato, a parlamentar também fez declarações direcionadas à deputada federal Erika Hilton, que foram interpretadas como transfóbicas. O episódio gerou forte reação dentro e fora do plenário, levantando debates sobre racismo e respeito às identidades de gênero.
O que é blackface e por que a prática é considerada crime
O blackface é uma prática histórica originada nos teatros norte-americanos do início do século XX, em que pessoas brancas se pintavam para representar pessoas negras de forma estereotipada. Atualmente, a prática é amplamente condenada e considerada racismo.
No Brasil, o racismo é tipificado como crime pela Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça ou cor.
Declarações da deputada geram acusações de racismo e transfobia
Durante o discurso, Fabiana Bolsonaro afirmou que sua atitude teria um caráter “didático”, ao comentar: “Não adianta eu me maquiar, não sei as dores que as mulheres negras sentiram”.
Na sequência, a parlamentar fez declarações que foram interpretadas como transfóbicas ao se referir à deputada federal Erika Hilton e à população trans. “Não adianta se maquiar de mulher que não vai saber o que uma mulher passa”, disse.
Ela também criticou a presença de pessoas trans em competições esportivas e questionou o reconhecimento de mulheres trans, afirmando: “Eu sou mulher, eu quero ser vista como mulher, a mulher do ano não pode ser transexual. Porque isso está tirando o lugar de uma mulher”.
Reação de deputadas e condução da sessão
Diante das falas e do ato realizado, as deputadas estaduais Mônica Seixas, do Movimento das Pretas (PSOL), e Ediane Maria (PSOL) pediram o encerramento da sessão, alertando para a ocorrência de possíveis crimes de racismo e transfobia.
Apesar das manifestações contrárias, o presidente da sessão, deputado Fábio Faria de Sá (Podemos), optou por manter a continuidade dos trabalhos até o fim.
Contexto envolve eleição histórica de Erika Hilton
O episódio ocorre poucos dias após um marco político relevante. No último dia 11, a deputada federal Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Ela se tornou a primeira mulher trans a presidir o colegiado, fato considerado histórico e que amplia a representatividade no cenário político nacional.
Fonte: Redação / TV Alesp
Imagem: Reprodução TV Alesp