Entidades da categoria se reúnem em Santos para decidir paralisação que pode afetar todo o país
Movimento é motivado pelo aumento dos combustíveis, impacto de crise internacional e denúncias de pagamento abaixo do valor mínimo do frete.
Categoria discute paralisação nacional
Entidades representativas de caminhoneiros realizam nesta quarta-feira (18), em Santos (SP), uma reunião decisiva para avaliar a adesão a uma possível greve nacional. O encontro está marcado para as 15h e deve definir se a categoria irá paralisar as atividades em protesto contra o aumento dos custos operacionais e o descumprimento de regras do setor.
A mobilização ocorre em meio à insatisfação crescente entre caminhoneiros autônomos, que relatam dificuldades para manter as atividades diante da alta no preço do óleo diesel e da redução na rentabilidade do transporte de cargas.
Alta do diesel é principal fator de insatisfação
O principal motivo da possível paralisação é o aumento sucessivo no preço do diesel. Segundo lideranças da categoria, os reajustes recentes tornaram inviável a operação de muitos profissionais, que enfrentam custos elevados para manter seus veículos em circulação.
Além disso, caminhoneiros denunciam que empresas contratantes não estão respeitando o piso mínimo do frete, repassando integralmente o impacto da alta do combustível aos motoristas. Na prática, isso reduz drasticamente a margem de lucro e, em alguns casos, torna o trabalho financeiramente inviável.
Crise internacional pressiona preços no Brasil
A elevação no preço do diesel no país está diretamente relacionada ao cenário internacional. O valor do combustível disparou após o início de um conflito entre Estados Unidos e Irã, que provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
A região é responsável pela passagem de cerca de 20% de todo o petróleo bruto global. Com a interrupção parcial do fluxo e o aumento do risco na oferta, o preço do barril subiu no mercado internacional, impactando diretamente o valor dos combustíveis no Brasil.
Estados já sinalizam apoio à paralisação
Representantes de ao menos seis estados e do Distrito Federal já manifestaram apoio à possibilidade de greve. Entre as regiões que demonstraram adesão estão São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e o Distrito Federal.
Apesar das manifestações favoráveis, a decisão final sobre a paralisação dependerá do resultado da assembleia desta quarta-feira, que reunirá lideranças de diferentes regiões do país.
Governo tenta evitar greve com medidas emergenciais
Para conter a insatisfação e evitar uma paralisação nacional, o governo federal anunciou medidas em duas frentes: reforço na fiscalização e redução de custos.
O Ministério dos Transportes informou que irá intensificar a fiscalização sobre empresas que descumprirem a tabela do frete, com previsão de punições mais rigorosas, incluindo sanções a empresas e seus acionistas.
Além disso, o governo anunciou a isenção de impostos federais, como PIS e Cofins, sobre o diesel, além de incentivos para produtores e importadores, com o objetivo de reduzir ou conter o preço final do combustível ao consumidor.
Entenda o piso mínimo do frete
O piso mínimo do frete é uma tabela que estabelece o valor mínimo que deve ser pago pelo transporte de cargas no Brasil. A medida considera custos como combustível, manutenção do veículo e despesas operacionais, funcionando como uma espécie de referência obrigatória para o setor.
Segundo caminhoneiros, a falta de fiscalização efetiva faz com que muitas empresas ignorem esse piso, obrigando motoristas a aceitar fretes abaixo do valor mínimo. Diante disso, a categoria defende medidas mais rígidas, como o bloqueio eletrônico do registro de empresas que descumprirem a regra.
Expectativa é de definição ainda nesta quarta-feira
A reunião em Santos deve definir os próximos passos do movimento e se haverá, de fato, uma paralisação nacional. Caso confirmada, a greve pode impactar diretamente o abastecimento e a logística em diversas regiões do país.
O desfecho é aguardado com atenção por autoridades e setores econômicos, diante do histórico de paralisações da categoria e seus efeitos sobre a economia brasileira.
Fonte: Gazeta do Povo
Fonte: Marcelo Camargo / Agência Brasil