Vendas no comércio varejista crescem em 2025, mas ritmo desacelera frente a 2024

Valter Campanato/Agência Brasil

Setor registra nona alta anual seguida, porém impacto dos juros elevados limita expansão e provoca queda em dezembro

As vendas no comércio varejista tiveram alta em 2025, mas desaceleraram em relação a 2024, influenciadas pela política de juros restritiva e menor consumo no fim do ano.

Panorama geral das vendas no comércio varejista em 2025

As vendas no comércio varejista registraram em 2025 o nono ano consecutivo de crescimento, com variação positiva de 1,6% em relação a 2024. Apesar desse resultado favorável, o ritmo de expansão desacelerou consideravelmente, já que em 2024 o avanço havia sido de 4,1%. A taxa básica de juros em 15%, mantida desde junho de 2025, teve papel central na moderação do consumo e no comportamento cauteloso dos consumidores ao longo do ano, evidenciando os efeitos da política monetária restritiva sobre a atividade econômica.

Resultados negativos em dezembro e impacto nos segmentos dependentes de crédito

O mês de dezembro de 2025 apresentou queda de 0,4% nas vendas do varejo restrito em comparação a novembro, superando as expectativas do mercado que previam recuo de 0,2%. No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, a queda foi ainda mais expressiva, de 1,2%. Segmentos como material de construção (-2,8%) e veículos, motocicletas, partes e peças (-2,4%) foram os mais afetados, refletindo a maior sensibilidade desses setores à alta das taxas de juros, que encarecem o financiamento e limitam o poder de compra dos consumidores.

Análise dos setores mais e menos afetados pela política monetária

Enquanto o comércio atrelado ao crédito sofreu queda de 0,8% em 2025, as categorias mais ligadas à renda registraram crescimento de 0,5% no período. Produtos de valor elevado, que costumam demandar financiamento, foram os mais impactados pelas condições restritivas, conforme observado nas vendas de veículos e eletrodomésticos. Em contrapartida, setores com menor dependência de crédito, como alimentos e produtos farmacêuticos, obtiveram desempenho relativamente mais estável, ainda que alguns também tenham experimentado recuos pontuais em dezembro.

Perspectivas para o varejo e política monetária em 2026

Economistas consultados projetam que o varejo continuará com crescimento moderado em 2026, sustentado por estímulos fiscais, como aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda, e políticas de crédito direcionadas, como o consignado. A expectativa é que a taxa Selic sofra cortes graduais, iniciando possivelmente em março, com redução estimada entre 0,25 e 0,50 ponto percentual. Essa desaceleração dos juros busca recuperar o dinamismo do consumo, especialmente nos segmentos sensíveis ao crédito, enquanto a manutenção de um mercado de trabalho aquecido e ganhos reais de renda atuam como fatores de amortecimento para a demanda interna.

Implicações para a economia brasileira e o consumidor final

O esfriamento do varejo no final de 2025 contribui para a redução da pressão inflacionária, o que pode facilitar a flexibilização da política monetária pelo Banco Central. No entanto, o cenário permanece desafiador para setores que dependem de financiamento e para consumidores que enfrentam custos de crédito elevados. A combinação de juros altos e crescimento econômico moderado reforça a necessidade de políticas de estímulo coordenadas para garantir a retomada consistente do consumo e o fortalecimento da atividade econômica em 2026.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Valter Campanato/Agência Brasil

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