Setores econômicos registram redução significativa no número de empregos formais para trabalhadores qualificados, segundo estudo da FGV
Indústria, construção e comércio eliminaram 34.297 vagas formais com ensino superior em 2025, refletindo impacto dos juros elevados no mercado de trabalho.
Análise do corte de vagas com ensino superior nos setores de indústria, construção e comércio em 2025
O corte de vagas com ensino superior nos setores industriais, da construção e do comércio em 2025 revela um impacto direto dos juros elevados sobre o mercado formal de trabalho. De acordo com o estudo conduzido por Janaína Feijó e Helena Zahar do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), esses três setores juntos eliminaram 34.297 empregos formais destinados a profissionais qualificados. A pesquisadora Janaína Feijó destaca que a manutenção prolongada de uma taxa de juros alta tem repercussão tardia e significativa no mercado de trabalho, manifestada por saldos negativos a partir de meados do ano.
Impactos dos juros elevados na geração de postos formais qualificados
O cenário econômico de juros elevados influencia fortemente a decisão dos empresários em contratar, especialmente profissionais com ensino superior, devido aos custos associados e à expectativa de retorno financeiro. Em 2025, embora o mercado formal tenha criado 1.279.448 vagas, houve uma queda de 23,7% em relação ao ano anterior, e apenas 1,9% dessas vagas foram destinadas a trabalhadores com ensino superior completo, totalizando 24.513 novas oportunidades. Essa retração nos setores de indústria, construção e comércio contrasta com a absorção de mão de obra qualificada pelo setor de serviços, que aumentou em 58.300 trabalhadores com ensino superior.
Consequências para a qualidade do emprego e desafios estruturais
A redução das vagas para profissionais com ensino superior nesses setores indica uma deterioração na qualidade do emprego formal. Além das altas taxas de juros, outros fatores estruturais influenciam esse quadro, como os elevados encargos trabalhistas que dificultam contratações sob o regime CLT. A pesquisadora enfatiza que a informalidade, que atinge mais de 38% dos trabalhadores no país, prejudica tanto o fisco quanto os próprios trabalhadores, que ficam desprotegidos e sem garantias legais.
Perspectivas para 2026 e a influência das eleições e eventos especiais
Para o ano de 2026, a expectativa é de uma desaceleração ainda maior na geração de empregos formais, principalmente devido à persistência de uma taxa básica de juros elevada e à incerteza política causada pelas eleições no segundo semestre. A retenção de mão de obra pode ser estimulada em alguns setores por pacotes governamentais e pela realização da Copa do Mundo de Futebol, mas o cenário permanece de cautela. A pesquisadora aponta que o ambiente econômico desfavorável leva empresários a postergar investimentos em contratações qualificadas, aguardando a definição do contexto político.
Necessidade de políticas para recuperação da geração de empregos qualificados
A reversão do quadro de corte de vagas com ensino superior depende, prioritariamente, da redução dos juros e da melhoria do ambiente de negócios no país. O fortalecimento do mercado formal é fundamental para garantir melhor qualidade do emprego, reduzir a informalidade e promover o crescimento econômico sustentável. A retomada do fôlego na criação de empregos formais qualificados terá papel decisivo para o desenvolvimento social e econômico do Brasil nos próximos anos.
Fonte: www.infomoney.com.br