Agência reforça que avanço para 'BB+' depende de plano fiscal crível e consolidado no médio prazo
Fitch Ratings alerta que o Brasil só avança para 'BB+' com um ajuste fiscal crível e consolidado, destacando desafios políticos e econômicos.
Condições para o avanço do rating do Brasil segundo a Fitch Ratings
A Fitch Ratings destacou que o Brasil só poderá subir sua nota de crédito para ‘BB+’ com um ajuste fiscal crível e consolidado. Atualmente, o país mantém rating ‘BB’ com perspectiva estável, refletindo uma posição fiscal considerada fraca pela agência. A condição principal para a elevação é a apresentação de um plano de consolidação fiscal que inspire confiança na estabilização da dívida pública no médio prazo, mesmo que não seja necessária a finalização completa do ajuste imediatamente.
Impacto político nas perspectivas fiscais para o Brasil pós-eleições de 2026
A agência enfatiza que, após as eleições de 2026, haverá necessidade de esforços adicionais para a consolidação fiscal, independentemente do governo eleito. A Fitch avalia que um governo de direita possivelmente adotará um ajuste mais ambicioso, enquanto uma administração alinhada à esquerda poderá enfrentar resistência para implementar aumentos tributários. Por outro lado, um governo conservador pode enfrentar obstáculos políticos para efetuar cortes profundos nos gastos públicos. A pressão do Congresso atual por aumento de despesas e flexibilização das medidas de controle é um fator desafiador para a consolidação.
Efeitos da política monetária e condições econômicas internas sobre a demanda
A manutenção de juros elevados por período prolongado impacta negativamente a demanda doméstica, apesar da expectativa de queda das taxas a partir de março. Contudo, a Fitch aponta que a melhora no déficit primário e as operações de empréstimo contribuirão para mitigar a desaceleração econômica. O mercado de trabalho aquecido é destacado como um elemento fundamental para sustentar o consumo interno, reforçando a importância da dinâmica do emprego na estabilidade econômica.
Panorama da América Latina na avaliação da Fitch Ratings em 2026
No contexto regional, a Fitch observa que a maioria dos países latino-americanos tem perspectiva estável, refletindo uma estabilidade ampla em seus perfis de risco. Apenas cinco países da região possuem grau de investimento, com o México apresentando a menor classificação dentro deste grupo. A agência não prevê rebaixamentos significativos para a América Latina em 2026 e sinaliza que o Paraguai apresenta potencial para atingir o grau de investimento, desde que certas condições sejam cumpridas. A consolidação fiscal na região permanece desigual, com déficits elevados e encargos de dívida crescentes nos países maiores.
Desafios estruturais e a importância do ajuste fiscal crível para o Brasil
A Fitch Ratings ressalta que a principal vulnerabilidade do Brasil está na sua posição fiscal fragilizada. Para melhorar sua nota de crédito, o país precisa promover um esforço substancial e confiável de consolidação fiscal, que demonstre comprometimento com a estabilização da dívida. O progresso inicial significativo é suficiente para abrir caminho para a elevação na classificação, mas a estratégia e ritmo desse ajuste serão fundamentais para garantir a confiança dos investidores e das agências de rating. A incerteza política e econômica permanece um fator decisivo para a trajetória futura do país.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Reinhard Krause/Reuters