Indicadores econômicos sugerem manutenção dos juros até junho, com foco em dados para futuras decisões
Inflação amena e emprego forte indicam que Federal Reserve deve manter juros estáveis até junho, com decisões baseadas em dados econômicos.
Contexto da inflação amena e emprego aquecido nos EUA em janeiro
A inflação amena e o emprego aquecido nos EUA em janeiro de 2026 indicam um cenário de cautela para o Federal Reserve. Os dados recentes do índice de preços ao consumidor (CPI), divulgados em 13 de fevereiro, mostraram um aumento de 0,2% no mês, abaixo dos 0,3% registrados em dezembro, e um avanço de 2,4% em 12 meses, inferior aos 2,7% anteriores. Além disso, o mercado de trabalho segue forte, reforçando a tese de que o Fed manterá as taxas de juros estáveis até junho.
Expectativas do mercado e postura do Federal Reserve
De acordo com a ferramenta FedWatch, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros em março é baixa, cerca de 9,7%, subindo para 28,1% em abril e alcançando 50,2% em junho. Isso reflete a avaliação de que o Fed manterá sua postura prudente, dado o equilíbrio do mercado de trabalho e a inflação ainda acima da meta de 2%. Economistas como Gustavo Sung destacam que a desaceleração do índice cheio e do núcleo da inflação são positivas, mas ressaltam a necessidade de observar o aumento contínuo nos preços de serviços, que avançaram 2,9% nos últimos 12 meses.
Pressões inflacionárias nos serviços e impactos das tarifas comerciais
Os preços dos serviços permanecem resilientes, representando um desafio para o processo de desinflação. Parte do aumento dos custos está associada aos choques tarifários recentes, especialmente sobre bens industriais, que subiram 1,1% em doze meses e podem continuar sentindo efeitos das tarifas impostas pelo governo americano. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, ressalta que esses fatores mantêm a inflação acumulada em 12 meses acima da meta do Fed, justificando a manutenção dos juros na faixa atual em março.
Análises divergentes sobre indicadores e ajustes técnicos necessários
Enquanto o CPI mostrou resultados ligeiramente melhores, o núcleo do PCE, indicador preferido pelo Fed, ainda apresenta riscos de alta, especialmente devido à volatilidade em componentes como serviços médicos, segundo análise do Itaú. Por sua vez, André Valério, do Banco Inter, alerta que o CPI pode estar subestimado devido a ajustes técnicos relacionados à paralisação do governo americano em outubro, o que pode distorcer temporariamente a inflação de aluguel e o índice anual.
Perspectivas para a política monetária e impacto na economia americana
Apesar das divergências sobre os dados, há consenso de que o Fed manterá a cautela, mantendo as taxas de juros próximas ao nível neutro até que haja evidências claras de desaceleração na inflação e no mercado de trabalho. A retomada dos cortes de juros é prevista para o segundo trimestre de 2026, dependendo do comportamento dos indicadores econômicos. Essa estratégia visa equilibrar o mandato do Fed de controlar a inflação sem prejudicar o crescimento econômico e o emprego.
Considerações finais sobre o cenário econômico e decisões futuras do Fed
Os dados recentes reforçam a complexidade do cenário econômico americano, com avanços graduais no controle da inflação, mas desafios persistentes nos serviços e impactos tarifários. A postura cautelosa do Federal Reserve reflete a necessidade de monitorar esses fatores com atenção antes de alterar a política monetária. O mercado deverá acompanhar os próximos indicadores para ajustar expectativas e avaliar o momento adequado para cortes nos juros.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: REUTERS/Joshua Roberts