Revista destaca desafios fiscais, sistema tributário complexo e benefícios públicos como obstáculos ao crescimento
A economia do Brasil é sufocada por interesses arraigados, com desafios fiscais e sistema tributário complexo, alerta The Economist.
A situação fiscal crítica e os interesses arraigados na economia do Brasil
A economia do Brasil enfrenta um momento delicado, sufocada por interesses arraigados que dificultam reformas estruturais urgentes. Conforme análise da revista The Economist divulgada em fevereiro de 2026, o país convive com desafios fiscais graves e um sistema tributário extremamente complexo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta no crescimento econômico, com uma média anual de 3% nos últimos anos, inflação controlada em torno de 4,3% e desemprego em níveis baixos recordes. No entanto, a oposição, representada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, alerta para uma crise fiscal profunda que pode levar a uma recessão iminente, segundo especialistas financeiros como Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.
Dívida pública crescente e suas consequências para o crescimento do país
O Brasil caminha para que sua dívida pública bruta alcance 99% do PIB até 2030, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), marcando um aumento expressivo em relação aos 62% registrados em 2010. Esse cenário é agravado pelo déficit nominal de 8,1% do PIB, praticamente composto por pagamentos de juros, o que reforça um quadro fiscal insustentável. A confiança dos mercados sofreu abalos devido à mudança de superávit para déficit primário em 2025, o que resultou na necessidade do Banco Central de manter juros reais elevados, da ordem de 10%, um dos mais altos globalmente. Essa política monetária restritiva inibe o investimento privado, refletido no baixo índice de investimento do país, que corresponde a apenas 17% do PIB, pouco mais da metade da taxa observada na Índia.
Benefícios públicos e Previdência social comprometem equilíbrio fiscal
A revista destaca que os grandes obstáculos ao crescimento econômico não são os programas assistenciais, que custam cerca de 3,7% do PIB, mas sim os benefícios generosos concedidos aos servidores públicos e a Previdência social. O sistema previdenciário brasileiro consome aproximadamente 10% do PIB e, caso não haja reformas profundas, o déficit previsto pode aumentar para mais de 16% do PIB até 2060 devido ao rápido envelhecimento da população. O país apresenta uma relação desequilibrada entre servidores públicos e empregados da iniciativa privada, com cerca de 13 milhões de funcionários no setor público e 40 milhões na iniciativa privada, mas déficits previdenciários semelhantes em ambos os sistemas. Além disso, as pensões elevadas para militares e membros do Judiciário, que representam um dos sistemas mais caros do mundo, agravam ainda mais as contas públicas.
Complexidade tributária e isenções fiscais limitam crescimento e aumentam desigualdade
Outro fator relevante ressaltado pela The Economist é o sistema tributário brasileiro, considerado o mais complexo do mundo e que representa em torno de 34% do PIB em arrecadação. Estudo da Deloitte aponta que empresas gastam milhares de horas anuais para cumprir obrigações fiscais, onerando significativamente os custos operacionais. A elevada quantidade de regimes de isenção — cerca de 128, dos quais 95 permanecem vigentes até 2073 — fragmenta o sistema, favorece grupos específicos e contribui para um sistema regressivo, onde a maior parte da receita advém de impostos sobre o consumo, impactando mais os menos favorecidos. A alíquota efetiva do imposto corporativo fica entre 16% e 18%, abaixo da média da OCDE, devido às numerosas isenções concedidas.
Perspectivas e necessidade de reformas estruturais corajosas
A economia do Brasil depende da coragem dos parlamentares eleitos para enfrentar os interesses arraigados e implementar reformas estruturais, principalmente na Previdência e no sistema tributário. Especialistas defendem que, além da contenção dos gastos públicos, é preciso revisar benefícios generosos que impactam a sustentabilidade fiscal e promover maior equidade tributária para estimular investimentos e o crescimento econômico. A continuidade do cenário atual, com déficits elevados e altos custos para o setor privado, poderá comprometer o potencial de desenvolvimento do país e aumentar riscos de instabilidade econômica, conforme alerta a revista The Economist.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: José Cruz/Agência Brasil