Vice-presidente destaca vantagens da decisão da Suprema Corte americana para setores brasileiros e negociações comerciais futuras
Alckmin destaca que alíquota igual para todos nos EUA beneficia produtos brasileiros, mantendo competitividade e ampliando exportações.
Alíquota igual para todos nos EUA e seus efeitos no comércio brasileiro
A decisão da Suprema Corte americana de estabelecer uma alíquota igual para todos nos EUA, anunciada em 22 de janeiro de 2026, tem sido vista por Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro da Indústria, como uma vitória para o Brasil. Durante sua agenda em Aparecida do Norte (SP), Alckmin destacou que, com essa medida, o Brasil não perde competitividade frente a outros países, pois a uniformização das tarifas elimina as alíquotas mais elevadas que eram aplicadas anteriormente a produtos brasileiros.
Alckmin ressaltou que essa mudança beneficia diretamente setores estratégicos da economia brasileira, incluindo combustíveis, carne, café, suco de laranja, celulose e aeronáutica. A eliminação da tarifa de 10% sobre aeronaves e peças, por exemplo, representa um importante avanço para a indústria aeronáutica, que depende fortemente do comércio exterior para sua sobrevivência e crescimento.
Impactos setoriais da uniformização tarifária nos Estados Unidos
O vice-presidente enfatizou que a indústria aeronáutica brasileira, representada por empresas como a Embraer, não conseguiria se manter apenas com o mercado interno. A redução da alíquota de importação para zero nos EUA potencializa a competitividade dos produtos brasileiros nesse segmento, ampliando oportunidades de exportação e consolidação internacional.
Além disso, a uniformização das tarifas elimina desvantagens competitivas em outros setores, como o de combustível e alimentos processados, que anteriormente enfrentavam tarifas elevadas específicas ao Brasil. Alckmin apontou que essas mudanças oferecem novas perspectivas para os produtores nacionais, incentivando investimentos e a ampliação da presença brasileira no mercado americano.
Relações comerciais Brasil-EUA e negociações futuras
Sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, Alckmin revelou que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos EUA, prevista para março, será marcada por negociações importantes para aprofundar o relacionamento comercial, principalmente em questões não tarifárias. O vice-presidente destacou que, embora os EUA não sejam o maior comprador dos produtos brasileiros, eles lideram a aquisição de bens industriais, tornando as negociações ainda mais relevantes.
Alckmin mencionou ainda a preocupação com a Seção 301, que impõe restrições específicas, mas confia que haverá esclarecimentos, citando o exemplo positivo do Pix brasileiro como inovação que pode ser compreendida e valorizada internacionalmente.
Recorde nas exportações brasileiras e diversificação de mercados em 2025
O ano de 2025 marcou um recorde nas exportações brasileiras, conforme dados apresentados por Alckmin, que ultrapassaram US$ 348 bilhões. Este desempenho foi alcançado mesmo diante das tarifas elevadas aplicadas durante o governo anterior nos EUA, evidenciando o sucesso da estratégia de diversificação dos mercados de destino pelo Brasil.
Essa expansão comercial reforça a resiliência da economia nacional e a capacidade de adaptação frente a desafios externos, consolidando o País como um player relevante no comércio global.
Avanços no acordo Mercosul-União Europeia e perspectivas para o comércio internacional
O vice-presidente também destacou a iminente aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para 24 de fevereiro de 2026, em comissão da Câmara dos Deputados. Ele classificou o acordo como o maior entre blocos econômicos do mundo, abrangendo mais de US$ 22 trilhões e 720 milhões de pessoas.
Esse tratado deverá ampliar significativamente as oportunidades comerciais para o Brasil e seus parceiros do Mercosul, fortalecendo a integração regional e o acesso a um mercado vasto e diversificado.
Considerações políticas e o papel de Alckmin em São Paulo
Além das questões comerciais, Alckmin falou sobre sua atuação política em São Paulo, onde é cotado para disputar cargos importantes nas eleições de 2026. Embora tenha evitado confirmar candidaturas, ele reconheceu o interesse da mídia e do meio político, demonstrando cautela sobre os próximos passos.
Essa postura reflete a importância do vice-presidente no cenário político nacional e sua influência nas estratégias eleitorais do governo atual.
A análise de Geraldo Alckmin evidencia como a uniformização das alíquotas nos Estados Unidos representa um passo estratégico para manter e ampliar a competitividade do Brasil no comércio internacional, ao mesmo tempo em que destaca desafios e oportunidades nas negociações bilaterais e multilaterais que moldam o futuro econômico do País.
Fonte: www.infomoney.com.br