Investigação revela recrutamento e pagamento de cabos eleitorais pela agência MM Quarter durante a eleição municipal de 2024 em São Paulo
Investigação aponta que a agência MM Quarter recrutou e pagou cabos eleitorais para a campanha de Ricardo Nunes sem registro formal na prestação de contas.
A atuação da agência investigada MM Quarter na campanha eleitoral de Ricardo Nunes
A agência investigada MM Quarter teve papel central na mobilização de cabos eleitorais para a campanha de reeleição do prefeito Ricardo Nunes em São Paulo, no período eleitoral de 2024. Documentos e depoimentos coletados pela investigação jornalística revelam que a agência recrutou guias turísticos terceirizados para atuarem como cabos eleitorais, realizando pagamentos diretos sem emissão de nota fiscal e sem constar como fornecedor na prestação de contas oficial da campanha. A situação gerou uma crise política com consequências diretas para a gestão municipal.
Detalhes dos contratos e vínculos ocultos entre MM Quarter e a Prefeitura de São Paulo
Durante o período eleitoral, a MM Quarter possuía contratos vultosos com a SPTuris e a Secretaria Municipal de Turismo, totalizando mais de R$ 230 milhões. Entre eles, um contrato de R$ 67 milhões firmado durante o segundo turno eleitoral, além de serviços para eventos e transporte hidroviário. A Controladoria Geral do Município descobriu que a empresa estava registrada em nome de uma laranja, com procurações outorgadas ao então secretário de Turismo, Rodolfo Marinho, e a um empresário, que gerenciavam os contratos. Após a revelação, Marinho e o presidente da SPTuris foram demitidos, e o prefeito Ricardo Nunes prometeu rigor na apuração dos fatos.
Recrutamento e pagamento dos cabos eleitorais sem transparência oficial
O recrutamento dos guias para atuarem como cabos eleitorais foi feito por meio de grupos exclusivos no WhatsApp, administrados pela MM Quarter. Mensagens da coordenadora da agência convocavam os profissionais para vagas na campanha, com pagamento de R$ 250, sem necessidade de emissão de nota fiscal, com a contratação intermediada por uma cooperativa. Os guias passaram por treinamento no QG da campanha, coordenados por integrantes ligados à agência e à SPTuris, e foram distribuídos em grupos para atuação em bairros da capital. Diversos depoimentos confirmam que os pagamentos foram realizados por meio de Pix, sem documentação fiscal adequada, contrariando as informações oficiais da campanha.
Impactos políticos, medidas adotadas e posicionamentos oficiais
A denúncia provocou a demissão de figuras-chave da gestão municipal e desencadeou investigações internas. A campanha de Ricardo Nunes afirma que cumpriu integralmente a legislação eleitoral, destacando que toda contratação foi feita por meio de uma cooperativa que recebeu R$ 7,3 milhões, sem relação direta com a MM Quarter. A agência negou qualquer envolvimento na campanha, ressaltando seu compromisso com o ordenamento jurídico e se colocou à disposição das autoridades para esclarecimentos. A crise levanta questionamentos sobre a transparência na utilização de recursos públicos e a prática de recrutamento eleitoral irregular.
Panorama e lições sobre o uso de agências terceirizadas em campanhas eleitorais municipais
O caso da agência investigada MM Quarter expõe uma complexa rede de contratos públicos e relações opacas que podem comprometer a integridade dos processos eleitorais. A terceirização de mão de obra para eventos municipais e campanhas eleitorais, quando não acompanhada de rigor na prestação de contas e fiscalização, abre espaço para irregularidades que afetam a confiança pública. A situação evidencia a importância de mecanismos eficazes de controle e transparência, além de uma atuação firme das autoridades para coibir práticas que possam distorcer a lisura dos processos democráticos.
Fonte: www.metropoles.com