Projeto prevê demolição de arquibancada no setor inferior e instalação de estrutura metálica móvel para ampliar agenda de shows na Arena da Baixada
O Athletico Paranaense anunciou a instalação da primeira arquibancada retrátil em um estádio brasileiro na Arena da Baixada. A proposta busca aumentar a capacidade de eventos e reduzir conflitos entre shows e partidas de futebol, mas também levanta questionamentos sobre prioridades estruturais e impactos para torcedores.
Anúncio do Athletico e proposta de inovação no estádio
O Athletico Paranaense anunciou nesta quinta-feira (12) que pretende instalar uma arquibancada retrátil no estádio Mario Celso Petraglia, a Arena da Baixada, em Curitiba. A obra está prevista para ocorrer entre abril e agosto de 2026 e, segundo o clube, será a primeira estrutura desse tipo em uma arena brasileira.
O projeto será realizado em parceria com a empresa de entretenimento ao vivo 30e, considerada uma das maiores do setor no país. De acordo com o Athletico, a iniciativa faz parte de uma estratégia para transformar a Arena da Baixada em um espaço cada vez mais voltado para múltiplos eventos, incluindo grandes shows e espetáculos.
Como funcionará a arquibancada retrátil
A intervenção ocorrerá no setor Coronel Dulcídio Inferior. A arquibancada de concreto existente será demolida para dar lugar a uma nova estrutura metálica retrátil que utilizará as cadeiras atuais do setor. O sistema contará com mecanismos motorizados de abertura e fechamento com acionamento hidráulico.
Com a mudança, será criada uma área dedicada para montagem de palcos fora do gramado. Segundo o clube, isso permitirá que estruturas para shows sejam montadas e desmontadas sem interferir diretamente na realização de partidas de futebol. Os módulos metálicos da arquibancada já estão em produção na cidade de Piracicaba, em São Paulo.
Ampliação da capacidade para eventos e estratégia comercial
Outro ponto destacado pelo clube é o possível aumento da capacidade para eventos. Com a criação de novas rotas de fuga a partir do gramado, a arena poderá receber um público cerca de 20% maior em espetáculos musicais e outros eventos.
Para a diretoria do Athletico, a iniciativa reforça o posicionamento da Arena da Baixada como uma arena multieventos e amplia o potencial econômico do estádio. A parceria com a empresa 30e também prevê melhorias na infraestrutura técnica e na operação de eventos musicais.
Impacto para torcedores e mudanças no setor afetado
Durante o período das obras, o setor Coronel Dulcídio Inferior ficará indisponível e os sócios que possuem cadeiras nessa área serão realocados por meio de um processo específico de check-in. O clube também informou que esses torcedores passarão a integrar um novo plano associativo, com redução no valor das mensalidades.
A justificativa apresentada é que, mesmo após a conclusão da obra, poderão ocorrer realocações em jogos que coincidirem com montagens ou desmontagens de palcos para eventos. A medida levanta dúvidas entre parte da torcida sobre possíveis perdas de lugar fixo no estádio e sobre o impacto da agenda de shows na experiência do torcedor.
Debate sobre prioridades e uso do estádio
Embora o clube apresente o projeto como uma inovação tecnológica, a decisão também gera debate sobre o direcionamento da Arena da Baixada. A ampliação da agenda de eventos musicais pode aumentar a receita do estádio, mas também levanta questionamentos sobre a prioridade dada ao futebol em um espaço tradicionalmente ligado à torcida rubro-negra.
Outro ponto discutido é o fato de que parte da arquibancada original será demolida para viabilizar a nova estrutura. Críticos da medida apontam que a mudança pode alterar a configuração do estádio e priorizar interesses comerciais em detrimento da atmosfera esportiva.
Histórico de modernização da Arena da Baixada
A Arena da Baixada já passou por diversas modernizações ao longo das últimas décadas. O estádio foi inaugurado em 1999, reconstruído em grande parte para a Copa do Mundo de 2014 e recebeu, em 2015, a instalação de um teto retrátil, tecnologia inédita na América Latina na época.
Em 2016, o campo passou a utilizar grama sintética, outra decisão que também gerou discussões no futebol brasileiro. Com a nova arquibancada retrátil, o Athletico reforça a estratégia de investir em soluções estruturais inovadoras, ainda que nem sempre consensuais entre torcedores e especialistas.
Fonte: www.umdoisesportes.com.br
Fonte: Athletico Paranaense / Divulgação