Presidente enfatiza diálogo entre trabalhadores, empresários e governo sobre fim da escala 6×1
Lula pede que mudanças na jornada de trabalho sejam negociadas entre trabalhadores, empresários e governo, destacando a diversidade de realidades laborais no Brasil.
A negociação jornada de trabalho como proposta central na II Conferência Nacional do Trabalho
No evento realizado em São Paulo em 3 de março de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a negociação jornada de trabalho como elemento fundamental para a redefinição das regras laborais no país. Lula defendeu que a discussão sobre o fim da escala 6×1, que prevê seis dias consecutivos de trabalho seguidos de apenas um de descanso, deve ser conduzida através do diálogo entre trabalhadores, empresários e governo. Ele ressaltou que o modelo vigente não atende adequadamente às diversas realidades profissionais brasileiras.
Diferenças setoriais e a necessidade de jornadas adaptadas para cada categoria profissional
Durante sua fala, Lula destacou que a jornada de trabalho não pode ser uma regra única, pois distintos setores apresentam necessidades e dinâmicas diferentes. Ele citou como exemplo a disparidade entre a rotina de motoristas de aplicativo e trabalhadores da indústria metalúrgica. A proposta é que cada categoria profissional possa negociar uma jornada que considere suas especificidades, com modelos que possam variar entre cinco dias semanais de trabalho, como a jornada 5×2, entre outras possibilidades.
Impactos das mudanças na jornada para as novas gerações e o mercado de trabalho
O presidente também refletiu sobre a mudança nas expectativas das novas gerações em relação ao trabalho. Segundo ele, jovens de 16 e 17 anos atualmente não desejam a mesma jornada que ele teve, indicando uma transformação cultural importante que deve ser considerada em qualquer alteração legislativa. Essa percepção reforça a necessidade de flexibilização das jornadas para atrair e manter talentos no mercado de trabalho contemporâneo.
A importância da negociação coletiva para avanços nas relações trabalhistas
Lula reforçou que as mudanças estruturais exigem um processo de negociação coletiva efetivo. Ele ressaltou sua experiência em negociações e afirmou que quando trabalhadores, empresários e governo se reúnem com compromisso, é possível alcançar avanços significativos. Essa postura conciliadora busca evitar conflitos e promover um ambiente de entendimento para a reforma da jornada.
Continuidade do debate no Congresso Nacional e apoio da ministra Simone Tebet
O presidente afirmou que o tema do fim da escala 6×1 será tratado no Congresso Nacional, onde as possíveis alterações na legislação trabalhista deverão ser analisadas e aprovadas. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, presente no evento, adotou um discurso firme ao defender a viabilidade da proposta, destacando estudos governamentais que indicam que a mudança pode ocorrer sem redução salarial. Tebet criticou argumentos que afirmam que o Brasil seria prejudicado economicamente com essa alteração, qualificando-os como desconhecedores da realidade nacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br