Cinco acusados de mandar matar Marielle e Anderson vão a julgamento no STF

O Supremo Tribunal Federal inicia o julgamento dos réus envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 2018

O STF inicia julgamento dos cinco acusados de mandar matar Marielle Franco e Anderson Gomes, em caso emblemático desde 2018.

O julgamento dos cinco acusados de mandar matar Marielle Franco e Anderson Gomes inicia-se no STF em 24 de fevereiro de 2026, marcando uma etapa decisiva em um dos casos mais emblemáticos da política brasileira recente. A sessão terá início com o relatório do ministro Alexandre de Moraes, que fará um resumo detalhado das investigações e provas reunidas. Em seguida, o procurador-geral da República apresentará os argumentos da acusação, seguidos pelas defesas dos réus.

Perfil dos cinco acusados e suas funções na acusação

A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta Domingos Inácio Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), como um dos mandantes do assassinato, motivado por interesses ligados à regularização fundiária em áreas dominadas por milícias na zona oeste do Rio. Seu irmão, Francisco Brazão, então vereador e posteriormente deputado federal, é apontado como coautor da decisão de eliminar Marielle, em razão de embates políticos sobre projetos urbanos.

Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro na época e chefe da corporação na véspera do crime, teria assegurado a impunidade dos mandantes, usando sua autoridade para orientar sobre aspectos da execução. O ex-policial militar reformado conhecido como “Major Ronald” é acusado de monitorar a rotina da vereadora e fornecer informações aos executores, atuando em conexão com milícias da região.

Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, ex-assessor de Domingos Brazão, é acusado de integrar a organização criminosa envolvida na exploração imobiliária irregular, embora não tenha participação direta na execução.

Contexto político e econômico por trás das acusações de mandar matar Marielle Franco

A investigação evidencia que os homicídios foram motivados por interesses econômicos e políticos, especialmente ligados a negócios imobiliários ilegais e regularização fundiária em áreas controladas por milícias. A oposição política entre os irmãos Brazão e Marielle Franco, conhecida por sua atuação contra a milícia e em defesa dos direitos humanos, é central para as motivações apontadas na denúncia.

A PGR sustenta que os mandantes prometeram recompensa aos executores para concretizar o crime, que também teve tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado. Além das acusações de homicídio qualificado, três dos réus respondem por organização criminosa.

Implicações do julgamento para o combate às milícias e à impunidade no Rio de Janeiro

Este julgamento no STF representa um marco no combate à influência das milícias e à impunidade em crimes políticos no Rio de Janeiro. A participação de figuras ligadas às milícias e à polícia, conforme apontado pela denúncia, evidencia a complexidade do enfrentamento às redes criminosas no estado.

Uma eventual condenação pode estabelecer precedentes importantes para responsabilização de mandantes e para a proteção de agentes políticos e sociais ameaçados. O processo também reforça a vigilância sobre a interferência de interesses econômicos ilegais no espaço público e político.

Procedimentos do julgamento na Primeira Turma do STF

A sessão de julgamento prevê a leitura do relatório pelo ministro relator, seguida da apresentação dos argumentos da PGR. Os advogados dos réus terão tempo reservado para as defesas, com direito a uma hora cada. Caso o julgamento não seja concluído no primeiro dia, haverá continuidade na sessão da manhã seguinte.

Todos os réus estão presos preventivamente e negam as acusações, alegando serem vítimas de injustiça. A decisão da Primeira Turma do STF deverá definir a condenação ou absolvição dos envolvidos, com grande repercussão nacional.

Este caso permanece como símbolo da luta pela justiça, transparência e responsabilização em crimes de grande impacto político e social no Brasil.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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