Base aliada ameaça obstruir votação da PEC da Segurança por maioridade penal

Tensão na Câmara sobre inclusão da redução da maioridade penal gera risco de paralisação da proposta

Base aliada ameaça obstruir votação da PEC da Segurança devido à inclusão da redução da maioridade penal no texto.

A PEC da Segurança virou foco de intensos debates na Câmara dos Deputados, especialmente devido à polêmica em torno da maioridade penal. Na manhã de 3 de março de 2026, a ministra Gleisi Hoffmann reuniu mais de 30 parlamentares da base aliada para discutir ajustes na proposta, que inclui um referendo previsto para 2028 sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.

Tensão política em torno da redução da maioridade penal na PEC da Segurança

A inclusão da redução da maioridade penal na PEC da Segurança tem sido o ponto mais divisivo. O relator Mendonça Filho apresentou o parecer com a previsão do referendo, mas diversos parlamentares da base argumentam que essa pauta deveria ser tratada por meio de alteração no Código Penal, não por uma emenda constitucional. Esse impasse complica o avanço da votação, inicialmente marcada para 4 de março.

Líderes partidários indicam que, caso o tema não seja retirado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, pode optar por adiar a sessão. Alternativamente, partidos da base ameaçam usar a obstrução para impedir a votação do texto, evidenciando a resistência interna ao projeto atualmente formulado.

Debate sobre a integração das forças de segurança e fortalecimento das guardas municipais

Outro ponto de discordância refere-se à estrutura do sistema de segurança pública. O governo defende um sistema integrado, mas rejeita a descentralização das forças para estados e municípios e a fragmentação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A proposta do relator prevê novas atribuições para a Polícia Federal, que o governo deseja rever, além do fortalecimento das guardas municipais, inclusive em cidades com menos de 100 mil habitantes.

Essa divergência mostra o desafio de conciliar diferentes interesses políticos e administrativos para criar um modelo unificado e eficiente de segurança pública.

Financiamento da segurança pública: controvérsias sobre o Fundo Social e tributação das bets

O financiamento da segurança pública também divide opiniões na base governista. O relator sugeriu o uso do Fundo Social para custear as ações previstas, mas a equipe econômica se posiciona contra a alteração do fundo em si, propondo que apenas os rendimentos sejam direcionados para a área.

Outra alternativa em discussão envolve a redistribuição da tributação sobre as apostas eletrônicas (bets), que poderia gerar uma arrecadação extra anual estimada entre seis e sete bilhões de reais, com metade desse valor destinada à União.

Articulação política e perspectivas para o relatório final

Após a reunião no Palácio do Planalto, o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, qualificou como “extremamente produtivo” o encontro com o relator Mendonça Filho, que se comprometeu a consultar outras lideranças e avaliar a possibilidade de retirar ou modificar o trecho sobre a maioridade penal.

A equipe de articulação política já apresentou suas demandas ao relator, que deve encaminhar um novo relatório ainda nesta terça-feira, buscando um texto que possa avançar sem obstruções na Câmara.

Desafios e impacto político da PEC da Segurança

A PEC da Segurança é uma das prioridades do governo, mas enfrenta resistência significativa devido à complexidade dos temas abordados. A controvérsia sobre a maioridade penal reflete divergências ideológicas e estratégicas dentro da base aliada, que podem impactar não apenas a aprovação da proposta, mas também a imagem do governo perante a opinião pública.

Além disso, as discussões sobre a integração das forças e o financiamento da segurança pública revelam a dificuldade de conciliar demandas locais e federais, buscando um modelo eficiente e sustentável para o sistema nacional de segurança.

A semana decisiva para a PEC dependerá da habilidade dos líderes políticos em negociar ajustes no texto e encontrar consenso entre os diversos interesses representados no Congresso Nacional.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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