Estudo da UnB e UFRJ aponta que gratuidade no transporte público nas capitais tem impacto econômico e social semelhante ao Bolsa Família
Estudo revela que a tarifa zero no transporte público das capitais pode gerar R$ 60,3 bilhões anuais e reduzir desigualdades sociais no Brasil.
Impactos econômicos e sociais da tarifa zero no transporte público
A tarifa zero no transporte público pode injetar R$ 60,3 bilhões na economia brasileira anualmente, segundo estudo divulgado em 5 de fevereiro de 2026. A pesquisa, realizada pela Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que essa medida promoveria uma significativa redistribuição de renda ao ampliar a renda disponível das famílias, principalmente das camadas vulneráveis. O professor Thiago Trindade, coordenador do estudo, enfatiza que a transformação do gasto compulsório com passagens em renda disponível estimula o consumo e, consequentemente, gera arrecadação tributária, ampliando o ciclo econômico.
Tarifa zero como política social e combate às desigualdades raciais
O estudo intitulado “A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda” aponta que a gratuidade no transporte público não só alivia financeiramente a população negra e moradores de periferias, mas também tem potencial para atuar como um instrumento efetivo de combate às desigualdades raciais. A pesquisa defende que o acesso gratuito ao transporte metropolitanos de ônibus e trilhos pode ser encarado como um direito social fundamental, equiparado a serviços públicos essenciais, como saúde e educação. Essa abordagem reforçaria o protagonismo do Brasil em políticas sociais inovadoras voltadas para a redução das desigualdades e o aprofundamento da democracia.
Aspectos técnicos e financeiros da implementação da tarifa zero
Utilizando dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade de 2024 e indicadores das operadoras de transporte, o estudo desconta as atuais isenções legais, como para idosos e estudantes, estimadas em 24,38%, o que equivale a R$ 14,7 bilhões já circulando na economia. Portanto, a injeção real adicional seria de R$ 45,6 bilhões. Quanto ao financiamento, propõe-se a substituição do sistema de vale-transporte por um novo modelo de contribuição que incida sobre empresas privadas e públicas com mais de dez funcionários, mantendo isentos cerca de 81,5% dos estabelecimentos. Essa proposta busca garantir a sustentabilidade econômica da tarifa zero sem gerar impacto negativo no orçamento da União.
A importância da tarifa zero para o Brasil contemporâneo
A proposta de tarifa zero no transporte público surge num momento em que o país busca alternativas para estimular a economia e promover justiça social. O modelo apresentado pelos pesquisadores reforça a ideia de que políticas públicas inovadoras podem exercer efeito multiplicador tanto na economia quanto na inclusão social. Ao ampliar o acesso ao transporte, o Estado contribui para a mobilidade social e para a redução das barreiras que limitam o acesso a oportunidades de emprego, educação e saúde, beneficiando diretamente milhões de brasileiros.
Desafios e perspectivas para a adoção nacional da tarifa zero
Embora a tarifa zero no transporte público apresente benefícios claros, a implementação em escala nacional demanda um planejamento estratégico e interlocução entre diferentes esferas de governo e setores privados. O estudo indica que, com o modelo de financiamento proposto, é possível viabilizar a medida sem onerar o orçamento federal. No entanto, é necessário um debate amplo para ajustar as especificidades regionais e garantir a eficiência dos sistemas metropolitanos. A adoção dessa política pode consolidar o Brasil como referência global em iniciativas que promovem a redução das desigualdades por meio de acesso universal e gratuito ao transporte.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: SEMTRAN)