Economistas do FMI alertam que normalização do fornecimento global levará semanas e pode causar alta nos preços
Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, bancos do FMI alertam que o preço do petróleo pode alcançar 200 dólares devido a atrasos logísticos.
Impacto da reabertura do Estreito de Ormuz no preço do petróleo
O preço do petróleo permanece sob forte pressão mesmo após o anúncio do Irã de que o Estreito de Ormuz está novamente aberto a navios comerciais, conforme divulgado durante a Reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington. Economistas alertam que a normalização do fornecimento global não ocorrerá imediatamente, mantendo a volatilidade e riscos de alta no mercado, com previsões apontando para preços entre 150 e 200 dólares por barril.
Complexidade logística e o atraso na retomada do fluxo
Apesar do sinal verde político concedido por Teerã, a retomada efetiva do escoamento de petróleo é afetada por uma série de desafios logísticos. O reposicionamento das frotas, os elevados custos de seguros e a reorganização das cadeias de suprimento marítimas criam uma janela crítica de três a cinco semanas para a normalização. Caso esse prazo não seja cumprido, os estoques globais poderão se esgotar, pressionando ainda mais os preços e agravando o cenário inflacionário.
Consequências econômicas globais e região asiática em risco
A interrupção prolongada na oferta de petróleo tem provocado o fenômeno conhecido como “destruição de demanda”, refletido na desaceleração do crescimento econômico mundial e em impactos diretos sobre a inflação, como o aumento das passagens aéreas. A Ásia, especialmente vulnerável a esse gargalo, já sente os efeitos negativos na atividade econômica. Estratégias anteriores dos Estados Unidos para bloquear o fluxo foram desenhadas para pressionar a China, que se apoiou em suas reservas para mitigar o impacto sem colapsar sua economia.
Aspectos políticos e riscos da crise para os EUA
A decisão do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz altera o cenário geopolítico, diminuindo a pressão interna sobre o governo americano. Contudo, o Congresso dos Estados Unidos permanece atento, dado o ano eleitoral de 2026, quando todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado estarão em disputa. A Casa Branca precisa garantir a normalização logística para evitar que o aumento dos preços da energia se traduza em custos elevados para o eleitorado.
Resiliência econômica do Brasil frente à crise energética global
Segundo avaliações recentes do FMI, o Brasil encontra-se relativamente bem posicionado para enfrentar a turbulência decorrente do conflito no Oriente Médio e seus impactos nos mercados energéticos. O Fundo revisou para cima as projeções do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, destacando a resiliência do país frente a choques externos, apesar dos desafios globais que persistem.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Yuri Gripas/Reuters