Papel do Estado é proteger economia contra choque do petróleo, diz Aloizio Mercadante

Presidente do BNDES destaca importância da mediação estatal para enfrentar alta internacional dos combustíveis

Aloizio Mercadante reforça que o Estado deve amortecer os efeitos do choque do petróleo para preservar a economia nacional.

O papel do Estado diante do choque do petróleo na economia brasileira

O choque do petróleo é um fenômeno que tem causado impactos significativos na economia global, e o Brasil não está imune a essa realidade. Em 17 de fevereiro de 2026, Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), afirmou que o papel do Estado é proteger a economia brasileira desses efeitos. Essa crise internacional exige uma atuação governamental que vá além do mercado, buscando amortecer os efeitos sobre produção, emprego e desenvolvimento.

Mercadante destaca que, diante da alta dos preços dos combustíveis, vários países têm adotado políticas de contenção para mitigar os impactos no custo de vida e na competitividade econômica. Para ele, a mediação do governo é fundamental para garantir estabilidade e proteção social, especialmente em um cenário de turbulência geopolítica e volatilidade dos preços do petróleo.

A importância da Petrobras e os desafios do mercado de combustíveis

O presidente do BNDES também enfatizou o papel estratégico da Petrobras no atual contexto. A empresa estatal, embora precise remunerar seus investidores e seguir regras de mercado, desempenha uma função crucial como instrumento de equilíbrio e segurança energética para o Brasil. Mercadante ressaltou que a Petrobras deve colaborar com o governo para enfrentar a crise, ajudando a proteger a produção, o emprego e o desenvolvimento econômico.

Por outro lado, Mercadante criticou o modelo vigente de refino no Brasil, apontando que o país exporta óleo bruto e importa óleo refinado. Essa dependência da importação limita a capacidade interna de amortecer choques externos no preço dos combustíveis, tornando o mercado mais vulnerável. A necessidade de revisar e aprimorar a estrutura do refino nacional surge como um desafio prioritário para estimular a autonomia e a resiliência da economia.

Resiliência brasileira diante da crise graças ao pré-sal e ao etanol

Apesar dos desafios, o Brasil apresenta uma maior resiliência em relação à crise do petróleo, conforme apontado por Mercadante. A existência do pré-sal, extensa reserva de petróleo em águas profundas, e o uso difundido do etanol como combustível alternativo ajudam a fortalecer a segurança energética nacional.

Esses fatores, aliados à estrutura da Petrobras, permitem que o país, em certa medida, se beneficie economicamente da crise internacional, gerando receitas e garantindo um grau de estabilidade que alguns outros países não possuem. A combinação dessas vantagens contribui para um cenário menos vulnerável aos choques externos.

Custos e prazos para novas operações de exploração e produção

Em entrevista, Mercadante também abordou as perspectivas para início de novas operações de perfuração no Brasil. Ele destacou que ainda não há previsão concreta para o começo dessas atividades, ressaltando que os custos envolvidos são elevados e que os processos técnicos e regulatórios seguem em andamento.

Essas operações são vistas como essenciais para expandir a produção nacional e diminuir a dependência de importações, reforçando o papel do Brasil como um ator importante no mercado internacional de petróleo.

Desafios geopolíticos e econômicos na gestão do choque do petróleo

A turbulência atual causada pelo choque do petróleo não é apenas econômica, mas também geopolítica. Mercadante destacou que o governo brasileiro tem o papel de mediar conflitos, proteger setores produtivos e garantir o emprego diante das instabilidades internacionais.

Essa complexidade exige estratégias eficazes que combinam políticas públicas, investimentos em infraestrutura e reformas estruturais, a fim de garantir a sustentabilidade e o crescimento da economia nacional em um cenário global incerto.

Fonte: www.infomoney.com.br

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