IPCA de abril alivia inflação, mas alimentos e serviços pressionam teto

Paulo Pinto/ Agência Brasil

Apesar da queda da gasolina, alta em alimentos e serviços mantém pressão inflacionária perto do teto da meta

O IPCA de abril mostrou desaceleração pelo alívio na gasolina, mas alta em alimentos e serviços mantém inflação próxima ao teto da meta.

IPCA abril registra desaceleração, mas mantém pressão inflacionária

O IPCA abril de 2026 apresentou variação de 0,67%, segundo dados divulgados pelo IBGE em 12 de fevereiro, levemente abaixo da mediana prevista pelo mercado. Apesar dessa desaceleração em relação a março, a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,39%, próxima do teto da meta estipulado em 4,5%. O alívio refletiu principalmente a queda nos preços da gasolina e das passagens aéreas, enquanto alimentos e serviços continuaram pressionando os custos.

Principais grupos que impulsionaram a inflação no mês

O grupo de Alimentação e bebidas destacou-se com alta de 1,34%, puxado por aumentos expressivos em produtos como cenoura (+26,6%), leite longa vida (+13,7%), cebola (+11,8%) e carnes (+1,6%). Saúde e cuidados pessoais também contribuíram com variação de 1,16%, influenciada pelo reajuste sazonal dos medicamentos a partir de abril. Esses dois grupos somaram aproximadamente dois terços do impacto inflacionário mensal, refletindo desafios estruturais na oferta e nos custos.

Dinâmica setorial e efeitos dos combustíveis sobre preços

Segundo análise especializada, a dinâmica da inflação reflete restrições na oferta de alimentos e elevação dos custos de produção e transporte. O aumento do preço dos combustíveis, especialmente diante da valorização do petróleo e do conflito no Oriente Médio, pressiona o custo do frete, impactando diretamente os preços finais dos alimentos e outros bens. Esse efeito secundário do choque petrolífero já sinaliza maior complexidade para a contenção da inflação.

Pressão persistente nos serviços e núcleo inflacionário elevado

A inflação subjacente permanece resiliente, com destaque para o setor de serviços, que mostrou alta intensa e disseminada, mesmo com a queda das tarifas aéreas. Serviços como seguros de automóveis, consertos, serviços médicos e bancários apresentaram aumentos expressivos. A média dos núcleos de inflação situou-se em níveis elevados, indicando que a pressão sobre os preços não se limita a itens voláteis, mas está disseminada na economia.

Cenário para política monetária e desafios futuros

Diante desse quadro, as instituições financeiras preveem um cenário complexo para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). A inflação acumulada no bimestre supera as projeções oficiais, e a persistência da alta nos serviços e bens duráveis mantém pressão para ajustes cautelosos na taxa Selic. Projeções indicam cortes moderados, com riscos assimétricos para o aumento da inflação, enquanto as expectativas para 2026 e 2027 deverão ser revisadas para cima.

O contexto internacional, marcado pela guerra no Oriente Médio, e o mercado interno aquecido criam incertezas que podem dificultar o controle inflacionário, exigindo monitoramento constante e calibração conservadora das políticas econômicas.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Paulo Pinto/ Agência Brasil

Tópicos: