Venda de carne bovina no mercado externo registra aumento expressivo em faturamento enquanto volume embarcado recua 6,6%
Exportação de carne bovina em março apresenta queda de 6,6% no volume, mas receita avança 21,4%, refletindo alta dos preços internacionais.
Panorama atual da exportação de carne bovina em março de 2026
A exportação de carne bovina brasileira em março de 2026 apresentou uma queda de 6,65% no volume embarcado, totalizando 270,53 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). No entanto, a receita cambial teve alta de 21,42%, chegando a US$ 1,476 bilhão, evidenciando uma valorização dos preços no mercado internacional neste período. O setor, liderado por grandes frigoríficos, enfrenta um cenário de desaceleração de volume frente a uma base comparativa elevada de 2025, mas ainda mantém crescimento expressivo em faturamento.
Desempenho da carne bovina in natura nas exportações brasileiras
Considerando exclusivamente a carne bovina in natura, responsável por cerca de 90% das vendas externas, o volume embarcado cresceu 8,95% em março, para 233,79 mil toneladas, com receita de US$ 1,36 bilhão, avanço de 29,14% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse crescimento mais moderado do que nos meses anteriores (janeiro e fevereiro com avanços de 28,7% e 24%, respectivamente) indica uma desaceleração, mas ainda demonstra boa saúde do setor exportador. O preço médio por tonelada subiu 14,61% no primeiro trimestre, refletindo a valorização internacional da carne bovina brasileira.
Análise dos resultados do primeiro trimestre de 2026
No acumulado do primeiro trimestre, as exportações totais de carne bovina somaram US$ 4,32 bilhões, um aumento de 32,29% em relação ao mesmo período de 2025. O volume embarcado cresceu 10,98%, atingindo 827,64 mil toneladas. Especificamente para a carne in natura, a receita chegou a US$ 3,98 bilhões (+37,45%) e o volume a 700,98 mil toneladas (+19,92%). Esses indicadores reforçam o fortalecimento comercial do setor, que mantém preços médios elevados acima de US$ 5.600 por tonelada, beneficiado por mercados internacionais robustos e pela qualidade do produto brasileiro.
Principais mercados e comportamento das exportações por região
A China permanece como o principal destino da carne bovina in natura, representando 46,4% do volume exportado e 45,6% da receita no trimestre, com compras que cresceram 39,35% em volume e 41,83% em receita, além de um aumento de 15% nos preços médios. Os Estados Unidos mantêm a segunda posição, com forte expansão de 60,96% em valor e 28,51% em volume, impulsionados por um déficit interno de oferta. A União Europeia também registrou crescimento expressivo, com receita aumentando 29,48% e volume 21,16%, com preços médios superiores a US$ 8.600 por tonelada. Outros mercados relevantes, como Chile, Rússia e México, ampliaram suas importações em volume e valor, sinalizando diversificação e expansão da demanda global.
Impacto da cota tarifária da China sobre as exportações brasileiras
A Abrafrigo estima que, no primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras para a China tenham atingido cerca de 42,86% da cota tarifária anual disponível, que é de 1,106 milhão de toneladas com isenção da tarifa extraquota de 55%. Com um volume embarcado estimado em 474,08 mil toneladas, restariam aproximadamente 631,92 mil toneladas para serem embarcadas sem incidência da tarifa adicional ao longo do ano. Este fator pode impactar a dinâmica das exportações nos próximos meses, dado que o governo chinês contabiliza o volume que efetivamente chega aos portos, podendo haver ajustes nos números oficiais.
Perspectivas para a exportação da carne bovina brasileira em 2026
Apesar da desaceleração no volume em março, a exportação de carne bovina brasileira apresenta um cenário de crescimento em receita, impulsionado pela valorização dos preços e pela demanda sólida em mercados estratégicos. A abertura e manutenção de grandes mercados, aliados à qualidade do produto nacional, sustentam a competitividade internacional. A gestão eficiente da cota tarifária e a diversificação dos mercados consumidores serão fatores chave para a continuidade desse desempenho positivo ao longo do ano.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Marcello Casal Jr./Agência Brasil