Estudo do Centro de Liderança Pública revela que aumento da renda não alivia dificuldades financeiras devido à elevação da dívida e juros elevados
A renda recorde do brasileiro é comprometida pelo endividamento das famílias e juros altos, segundo estudo do CLP.
Endividamento das famílias compromete renda recorde no Brasil
O endividamento das famílias brasileiras tem absorvido uma parcela significativa da renda recorde registrada no trimestre encerrado em janeiro de 2026. De acordo com o estudo do Centro de Liderança Pública (CLP), apesar da renda média real ter atingido R$ 3.652 e a população ocupada ultrapassar 102 milhões, a situação financeira das famílias segue pressionada pelo aumento das dívidas e juros elevados. Daniel Duque, head de Inteligência Técnica do CLP, destaca que o crescimento do salário não tem acompanhado a expansão das parcelas de dívidas, frustrando a perspectiva de melhora no bem-estar financeiro da população.
Impacto dos juros altos e crédito consignado privado no endividamento
O cenário atual é agravado pela taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas situada em 61,5% ao ano, fomentando inadimplência que alcançou 5,3%. A expansão do crédito consignado privado, impulsionada pelo novo modelo de Crédito do Trabalhador, teve aumento de 52% em março de 2026 comparado ao mês anterior, chegando a R$ 10,864 bilhões. No entanto, o Banco Central já alertava sobre o risco de crescimento do endividamento ao analisar esse modelo em 2022, identificando que a migração de dívidas caras para linhas mais baratas resultou em aumento do estoque de passivos e maior comprometimento da renda familiar, que passou de 28% para 38% em 11 meses.
Limites fiscais e desafios para a política econômica brasileira
O estudo do CLP evidencia que o crescimento do consumo sustentado pelo crédito e o aumento da despesa primária federal, que cresceu 12,9% em termos reais, têm pressionado a inflação e contribuído para a manutenção de juros elevados. A dívida bruta do governo geral projeta trajetória ascendente, alcançando 87% do PIB em 2027, restringindo o espaço fiscal para novos gastos. Nesse contexto, o controle do crescimento das despesas públicas é fundamental para colaborar com a redução dos juros e evitar aumento insustentável do endividamento.
Recomendações para sustentabilidade econômica e alívio financeiro das famílias
Para enfrentar o problema estrutural do endividamento das famílias, o CLP propõe não apenas o controle rigoroso da despesa pública, mas também a moderação no estímulo ao crédito para famílias já excessivamente comprometidas. Medidas mais ambiciosas incluem a venda de ativos públicos subutilizados, possibilitando a redução da dívida pública e a abertura de espaço para investimentos reais. A análise conclui que o ciclo de gasto, crédito, consumo e emprego garantiu tempo, porém não assegurou sustentabilidade econômica, exigindo ações contundentes para evitar agravamento da crise financeira das famílias brasileiras.
Panorama da renda e endividamento: dados recentes
Renda média real no trimestre até janeiro de 2026: R$ 3.652 (recorde histórico)
Massa de rendimento alcançada: R$ 370,3 bilhões (maior da série histórica)
População ocupada: 102,7 milhões (marca inédita)
Dívidas das famílias em fevereiro de 2026: 49,9% da renda, igualando pico histórico de julho de 2022
Comprometimento da renda com dívidas: aumento de 29,5% para 29,7%
Taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas: 61,5% ao ano
Inadimplência das famílias: 5,3%, alta de 1,4 ponto percentual em 12 meses
Crescimento real da despesa primária federal: 12,9%
Esses indicadores reforçam a complexidade do quadro econômico, onde a melhoria nas estatísticas de emprego e renda não se traduz em alívio real para as famílias, que enfrentam o agravamento do endividamento e custos financeiros elevados.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Kelly Sikkema/ Unsplash