Com orçamento mais apertado, consumidores optam por roupas e cuidados pessoais, enquanto jantares e viagens perdem espaço no Dia das Mães em 2026
Dia das Mães 2026 revela mudança no comportamento do consumidor, que prioriza presentes tradicionais diante da alta nos gastos com experiências.
O impacto da economia no comportamento de consumo no Dia das Mães 2026
O Dia das Mães 2026 sinaliza uma mudança significativa no padrão de consumo dos brasileiros, que diante de um cenário econômico mais restrito, optam por reduzir gastos em experiências e priorizam presentes tradicionais. Dados da Elo Performance & Insights indicam que, apesar de um crescimento total de 4% no faturamento em relação ao ano anterior, o consumidor está cada vez mais cauteloso, buscando evitar riscos financeiros e apostando em escolhas mais seguras, como vestuário e produtos de cuidados pessoais.
João Vitor Ferreira, gerente executivo de Relação com Investidores & Data Analytics da Elo, destaca que essa mudança reflete uma estratégia clara de aversão ao risco e controle do orçamento familiar em 2026.
A queda no consumo de experiências e seu reflexo em bares e restaurantes
O setor de bares e restaurantes, antes impulsionado pela popularização de presentes ligados a experiências, enfrenta um ritmo de crescimento consideravelmente mais lento no Dia das Mães 2026. Enquanto em 2024 houve um crescimento de 7,7% e em 2025 de apenas 2,7%, a projeção para 2026 é de uma estabilização em torno de 3%, indicando que o entusiasmo por jantares festivos está diminuindo.
A inflação de 6,54% na alimentação fora do domicílio nos últimos 12 meses, segundo o índice IPCA do IBGE, contribui para essa retração, levando as famílias a preferirem o convívio em casa como alternativa mais econômica, sem abrir mão da celebração.
A consolidação do presente seguro: roupas e cuidados pessoais dominam as escolhas
Em 2026, roupas, sapatos, acessórios e produtos de cuidados pessoais representam a preferência consolidada do consumidor para o Dia das Mães. Essas categorias apresentam crescimento estimado de cerca de 40% na semana da data comemorativa em relação a uma semana comum, mantendo uma tendência iniciada em 2024.
Este retorno ao “porto seguro” traduz o desejo de não errar tanto na escolha do presente quanto no gasto, refletindo uma preferência por itens que tradicionalmente agradam e possuem menor risco de insatisfação.
A compra de última hora como padrão estrutural no Dia das Mães
Outro comportamento que se firma é a intensificação das compras na véspera do Dia das Mães. O sábado anterior registra um aumento de 29% no volume das transações, com picos de 83% em roupas e acessórios, e 78% em cuidados pessoais nesse dia específico.
Esse padrão deixa de ser sinal de desorganização e passa a ser entendido como uma estratégia planejada, possivelmente vinculada à busca por melhores ofertas e ao alinhamento com a aversão a riscos financeiros.
Perspectivas para o consumo no Dia das Mães e implicações econômicas
A estabilização e a moderação no ritmo de crescimento do consumo no Dia das Mães 2026 refletem o contexto econômico atual, marcado por incertezas e necessidade de contenção de gastos discricionários. A ausência de tração em categorias como viagens, apesar do desejo manifesto, e a diminuição do apetite por experiências externas indicam uma priorização do equilíbrio financeiro familiar.
Esse cenário sugere que o comércio deve focar em estratégias que valorizem presentes tradicionais e facilitem compras de última hora, alinhando-se ao perfil do consumidor contemporâneo que busca segurança e praticidade nas datas comemorativas.
Assim, o Dia das Mães em 2026 exemplifica como fatores macroeconômicos influenciam diretamente o comportamento de consumo, exigindo adaptações tanto dos consumidores quanto dos segmentos comerciais envolvidos.
Fonte: www.infomoney.com.br