Custo do crédito no Brasil atinge patamar recorde em quase uma década

Taxa média de juros sobe para 33,1% ao ano em março, a mais alta desde 2016, pressionando famílias e economia

Em março, o custo do crédito no Brasil alcançou 33,1% ao ano, o nível mais alto em quase dez anos, afetando o endividamento das famílias.

O custo do crédito no Brasil atingiu em março de 2026 o patamar mais alto em quase uma década. Segundo dados divulgados pelo Banco Central em 27 de fevereiro, a taxa média de juros nas concessões de crédito alcançou 33,1% ao ano, um aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e 1,9 ponto percentual em doze meses. Esse nível não era observado desde outubro de 2016.

Análise detalhada das taxas e suas implicações para o mercado financeiro brasileiro

A taxa média para pessoas físicas foi ainda mais elevada, chegando a 38,4% em março, o maior índice desde março de 2017, quando a taxa atingiu 40,6%. A inadimplência entre consumidores financeiras manteve-se alta, em 7%, patamar que não era visto desde o último trimestre de 2012, apesar de ligeira queda em relação a fevereiro (7,2%).

O endividamento das famílias também preocupa: em fevereiro, chegou a 49,9%, igualando o recorde histórico registrado em outubro de 2022. O comprometimento da renda familiar com dívidas subiu para 29,7%, maior índice registrado pelo Banco Central desde o início da série histórica. Esses números indicam uma vulnerabilidade crescente no ciclo de crédito, que pode limitar a capacidade de consumo e investimento das famílias.

Perspectivas econômicas e influência da política monetária restritiva

Especialistas, como Leonardo Costa, economista do ASA, indicam que o elevado custo do crédito e o alto nível de endividamento das famílias representam riscos significativos para a estabilidade do mercado de crédito no médio prazo. Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, prevê que a política monetária restritiva aliada à desaceleração do crescimento econômico e do mercado de trabalho deverá impor ventos contrários para a expansão do crédito nos próximos meses.

Entretanto, fatores mitigadores estão em jogo. A atuação mais ativa dos bancos públicos na concessão de crédito e o lançamento de novas linhas de financiamento patrocinadas pelo governo federal e instituições públicas buscam sustentar o ciclo de crédito, principalmente em um ano eleitoral, com as eleições previstas para o quarto trimestre de 2026.

Segmentos mais impactados e taxas específicas de juros em março de 2026

Nas operações de crédito com recursos livres, a taxa média de juros ficou em 48,3% ao ano, pouco abaixo de fevereiro, mas 4,4 pontos percentuais acima do mesmo período do ano anterior – patamar não visto desde outubro de 2017. No segmento específico para pessoas físicas, a taxa média foi ainda mais elevada, chegando a 61,5% ao ano.

As modalidades com as taxas de juros anuais mais elevadas foram o rotativo do cartão de crédito, com impressionantes 428,3%, e o parcelamento no cartão de crédito, que atingiu 192,1%. Apesar de o rotativo ter registrado redução em relação ao ano anterior, o parcelado apresentou aumento de 9,4 pontos percentuais, indicando maior custo do crédito para os consumidores que optam por essa forma de pagamento.

Impactos sociais e econômicos do custo elevado do crédito no Brasil

O aumento do custo do crédito no Brasil tem efeitos diretos no consumo e no endividamento das famílias, refletindo em maior vulnerabilidade financeira e maior risco de inadimplência. Essa dinâmica pode restringir o crescimento econômico ao limitar o acesso ao crédito e reduzir o poder de compra da população.

Além disso, o cenário atual exige atenção especial dos formuladores de políticas econômicas para equilibrar o controle inflacionário com a necessidade de fomentar o crédito e proteger a estabilidade financeira das famílias brasileiras. A conjuntura política e as medidas governamentais nos próximos meses serão cruciais para definir o rumo do mercado de crédito e seu impacto na economia nacional.

A análise do custo do crédito no Brasil em março de 2026 demonstra uma combinação complexa de fatores que desafiam tanto consumidores quanto instituições financeiras, exigindo monitoramento constante e estratégias adequadas para mitigar riscos e promover o desenvolvimento econômico sustentável.

Fonte: www.infomoney.com.br

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