Crescimento do pib no primeiro trimestre de 2026 destaca indústria e varejo

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Demanda interna resiliente impulsiona economia brasileira, enquanto agropecuária tem desempenho mais moderado

O crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 revela recuperação da indústria e do varejo, enquanto agropecuária apresenta ritmo mais lento.

O crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026, que registrou expansão de 1,1% em relação ao trimestre anterior, revela a força da demanda interna na economia brasileira. Essa trajetória, comentada por economistas como Rodolfo Margato, da XP, mostra um avanço menos dependente do agronegócio e mais sustentado pela recuperação da indústria e do varejo, além da continuidade do crescimento em serviços.

Análise detalhada dos setores que impulsionam o crescimento do PIB

O crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 foi marcado pela dinâmica positiva na indústria, que avançou 1,6% na comparação anual, e no setor de serviços, que cresceu 2,1%, embora já demonstrando sinais de desaceleração. A agropecuária teve um desempenho moderado, com crescimento de apenas 0,7%, reflexo da base alta de comparação do ano anterior, quando houve uma supersafra.

Segundo Leonardo Costa, economista do Asa, a produção recorde de soja, 4,8% acima do esperado, foi o principal destaque do campo, enquanto culturas como milho e arroz sofreram retrações de 2,5% e 10,6%, respectivamente. Na indústria, a extração mineral, especialmente de petróleo e gás, teve crescimento significativo de 3,6%, impulsionando o setor extrativo.

Impacto do varejo e serviços na economia doméstica

O varejo tem sido fundamental para sustentar a demanda interna, com o consumo das famílias crescendo 1,0% no trimestre. Esse movimento está associado a fatores como mercado de trabalho resiliente, reajuste real do salário mínimo, transferências sociais e ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil, conforme destaca Rodolfo Margato.

O setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB, teve expansão de 0,5%. Áreas como informação e comunicação aceleraram 2,4%, enquanto transportes e logística recuaram 0,7%, impactados pelos custos elevados de combustíveis e tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, que podem agravar o cenário nos próximos meses.

Investimentos e desafios estruturais para o crescimento sustentável

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador-chave de investimentos, surpreendeu positivamente com crescimento de 3,5% na comparação trimestral, revertendo a queda anterior. Contudo, na perspectiva anual, houve retração de 1,4%, refletindo menor produção de bens de capital. A taxa de investimento caiu de 17,6% para 16,5%, sinalizando desafios para a sustentabilidade do crescimento futuro, conforme alerta Leonardo Costa.

Perspectivas para o segundo semestre e implicações para a política monetária

Apesar do cenário positivo no começo do ano, analistas como Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, e Carlos Lopes, economista do banco BV, destacam preocupações para o segundo semestre devido a fatores como juros elevados, inflação persistente, instabilidades eleitorais e incertezas externas, que podem desacelerar a atividade econômica.

A expectativa é de crescimento gradual, com projeções de mercado entre 1,7% e 2,0% para 2026. O Banco Central, segundo Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, deverá revisar suas estimativas para o hiato do produto, considerando o viés altista da demanda interna, o que poderá influenciar a condução da política monetária pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Esse cenário evidencia que o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 é um reflexo de múltiplos fatores setoriais e institucionais, com a indústria e o varejo se destacando enquanto o agronegócio mantém ritmo mais moderado, preparando o terreno para os desafios e oportunidades econômicas que se avizinham no restante do ano.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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