Copom deve endurecer comunicado diante de riscos de inflação e alta do petróleo

Raphael Ribeiro/Banco Central

XP projeta tom mais cauteloso do Comitê de Política Monetária na reunião de 29 de abril

Copom deve endurecer comunicado para reforçar cautela diante dos riscos inflacionários e da alta do petróleo Brent.

Contexto da reunião do Copom em 29 de abril e a avaliação da XP

O Copom deve endurecer comunicado na reunião de 29 de abril para sinalizar maior cautela diante dos riscos inflacionários, destaca a análise da XP. O economista-chefe Caio Megale e sua equipe apontam que o Comitê dará mais peso aos dados externos, especialmente a alta do petróleo Brent, que mantém a pressão sobre a inflação de curto prazo. Essa postura deve refletir um ajuste no ritmo de cortes da taxa Selic, apesar do consenso apontar para uma redução de 0,25 ponto percentual, com a taxa básica alcançando 14,50%.

Impactos da alta do petróleo Brent sobre a dinâmica inflacionária brasileira

Desde a última reunião do Copom, o ambiente externo se tornou mais desafiador, impulsionado pela cotação do petróleo Brent que opera acima de US$ 100 por barril. Esse cenário, somado às tensões geopolíticas no Oriente Médio, exerce pressão inflacionária imediata, influenciando o comportamento dos preços internos. A XP destaca que o choque de energia reforça a tendência de alta do núcleo do IPCA, que subiu de 3,3% em janeiro para 4,7% em março, evidenciando um efeito direto sobre os custos ao consumidor.

Cenário interno: crescimento econômico e estímulos fiscais favorecem demanda

A economia brasileira apresenta uma retomada consistente, com estimativa de crescimento do PIB acima de 4% no primeiro trimestre de 2026. Essa expansão é impulsionada, em parte, por medidas de estímulo anunciadas pelo governo, que geram um choque de demanda. A combinação desse ambiente com a alta do petróleo eleva os riscos para a inflação, exigindo maior atenção do Copom para calibrar a política monetária sem comprometer o crescimento.

Ajustes nas projeções de inflação e política monetária para 2026 e 2027

A XP projeta que as estimativas do Banco Central para o IPCA de 2026 subirão de 3,9% para 4,5%, reflexo das surpresas inflacionárias recentes. Para o quarto trimestre de 2027, a previsão é de alta de 3,3% para 3,4%. O comunicado do Copom deve explicitar que o balanço de riscos está assimétrico para cima, justificando a cautela diante do cenário. Apesar desses ajustes, a valorização do real frente ao dólar, em torno de 9% no ano, atua como um amortecedor, reduzindo o impacto inflacionário estimado em 0,7 ponto percentual para 2026.

Perspectivas para a Selic e riscos futuros à política monetária

Mesmo com a alta volatilidade do petróleo e tensões geopolíticas, a XP mantém a projeção da taxa Selic em 13,50% ao final de 2026. Após o corte esperado de 0,25 ponto percentual nesta reunião, são previstas duas reduções adicionais de 0,50 ponto percentual em junho e agosto, desde que as condições externas se estabilizem e os preços do petróleo retornem a patamares entre US$ 80 e US$ 90 por barril. O ciclo de flexibilização pode ser pausado durante o período eleitoral para avaliação, com retomada dependente de maior clareza sobre a política fiscal a partir de 2027.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Raphael Ribeiro/Banco Central

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